Skip Navigation LinksMy Argus / News / News Story

Printer friendly

China: introdução do E10 até 2020 será difícil

29 Mar 2018 23:25 (+01:00 GMT)
China: introdução do E10 até 2020 será difícil

Rio de Janeiro, 29 March (Argus) — A China enfrentará uma série de desafios para atingir a ambiciosa meta de 10pc de mescla de etanol à gasolina (E10) até 2020, de acordo com participantes da conferência Argus China Ethanol, realizada esta semana em Pequim.

O governo anunciou a meta no ano passado para reduzir o congestionamento e apoiar o setor agrícola do país. A política de manutenção dos preços do milho resultou no estoque de 300 milhões de t do grão em 2016, o que impulsionou a produção de etanol. Estimativas atuais, no entanto, indicam estoque de 200 milhões de t.

Apesar do excedente de matéria-prima, o país conta com uma lacuna de 10 milhões de t na capacidade de produção para atingir a meta de E10. O consumo de gasolina em 2016 foi de 120 milhões de t, o que requer 12 milhões de t de etanol, diante da capacidade de 2 milhões de t.

Muitos produtores domésticos como a SDIC pretendem atingir uma produção entre 4 milhões e 5 milhões de t nos próximos cinco anos, embora pareça pouco realista a possibilidade de a China atingir a meta sem importações.

Os Estados Unidos têm sido o principal exportador de etanol para a China, entregando 2.714m³/d de biocombustível em dezembro. A perspectiva de uma guerra comercial entre os dois países, porém, despertou a ameaça de um aumento tarifário sobre o etanol norte-americano de 30pc para 45pc.

Outro obstáculo é o custo de implementação desta capacidade adicional de produção, logística e mistura, além da dúvida sobre qual parte arcará com estes custos: governo ou setor privado.

Participantes da conferência mencionaram a dificuldade de outros países da região do Ásia-Pacífico em tentar introduzir o E10. A Índia tenta há 15 anos, mas só conseguiu mesclar 2pc até o momento. O Vietnã reduziu a taxa de 10pc para o E5 por conta da falta de estoque, custos elevados e resistência do consumidor, com resultados similares na Austrália e Indonésia.

No longo prazo haverá também uma competição com carros elétricos, segmento estimulado pela China para melhorar a sustentabilidade. Estima-se que o número de veículos elétricos nas ruas tenha subido de aproximadamente 500.000 para 700.000 entre 2016 e 2017, e a previsão é que atinja 1 milhão de unidades neste ano. Entretanto, ainda haverá uma ampla necessidade de combustíveis tradicionais no curto ao médio prazo, uma vez que 200 milhões de veículos movidos a gasolina estavam em circulação no ano passado.

5616775