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Compras brasileiras de adubos estão atrasadas

06 Apr 2018 16:35 (+01:00 GMT)
Compras brasileiras de adubos estão atrasadas

Rio de Janeiro, 6 April (Argus) — As aquisições brasileiras de fertilizantes para a safra de soja 2018-19 estão atrasadas em virtude da significativa alta nas relações de troca entre o grão e os adubos observada no primeiro trimestre, o que tem limitado o interesse comprador dos agricultores desde o início do ano, revelam dados levantados pela Argus.

Os preços dos três principais macronutrientes (N, P e K) subiram desde o início deste ano, assim como os da soja. Os preços Argus para MAP 11-52 apresentaram alta anual de $52/t na média do primeiro trimestre deste ano para $423/t cfr Brasil, enquanto os de MOP subiram $50/t para $295/t cfr. Já os valores spot da oleaginosa avançaram apenas R$1,84/sc para R$61,29/sc em Rondonópolis e Sorriso, na mesma base de comparação. Com isso, o índice Argus de relações de troca entre a soja e os fertilizantes nestas praças subiu 0,30sc/t no primeiro trimestre de 2018 frente ao mesmo período do ano passado para 18,99sc/t em média.

"A alta nos preços de soja após as notícias de quebra na produção argentina reduziu as relações de troca, embora estas ainda estejam a patamares superiores aos da última safra", disse Carlos Melo, gerente de produtos da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo). "Agricultores tradicionalmente aplicam misturas com fósforo, potássio, enxofre e cálcio na safra de soja, mas devem concentrar suas compras nos dois primeiros, reduzindo a demanda por formulações complexas nesta safra por conta da alta nos preços de MAP e MOP", completou.

O atraso nas compras reflete-se na queda no volume de desembarques neste começo de ano. O Brasil recebeu 2,8 milhões de t de adubos no primeiro bimestre de 2018, queda anual de 32,6pc, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), por sua vez, estima que as importações somaram 3,4 milhões de t no período, recuo anual de 16,6pc.

"As importações estão devagar, assim como os despachos a partir dos armazéns e fábricas até o interior do país. Em março, a procura pelo transporte de adubos recuou 70-80pc ante fevereiro, muito mais que o esperado para o período", disse o representante de uma transportadora localizada em Paranaguá, principal porto brasileiro de adubos e grãos.

As compras de fertilizantes para a safra de soja 2018-19 estão avançando a passos lentos em todas as regiões brasileiras, segundo dados de órgãos públicos e participantes de mercado ouvidos pela Argus. As aquisições estão entre 40-65pc dos volumes totais em Mato Grosso, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e de grupos agrícolas com atuação regional, e somam quantidades mínimas em Goiás. Na Bahia, traders locais informaram que as compras estão entre 15-20pc dos volumes esperados. Dados fornecidos pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) apontam que praticamente não começaram no Paraná.

Em meio à baixa atividade, a procura por pacotes de barter de insumos – fertilizantes, sementes e agroquímicos – tem se fortalecido em detrimento às compras diretas. "Há mais consultas por pacotes barter, e elas estão ocorrendo mais cedo que no ano passado, porém menos negócios foram concluídos. As compras diretas estão dormentes, e fazendeiros estão adiando a tomada de posições em adubos", pontuou Carlos Melo.

"Agricultores estão esperando maior clareza sobre a produção de soja na Argentina. Se houver nova redução das estimativas, os preços de soja podem subir e as relações de troca caírem, mas os fazendeiros não estão considerando risco de alta nos preços dos adubos, que devem continuar firmes", disse uma analista de barter de uma trading agrícola na Bahia.

A procura por adubos para aplicações na safra 2018-19 de soja brasileira deverá ganhar ritmo em abril e se intensificar a partir de maio, com a definição dos orçamentos para investimento em insumos agrícolas para a próxima safra, após o término da colheita da safra 2017-18 da oleaginosa nos principais estados produtores. A expectativa é que, apesar do atraso, os volumes demandados devem ficar próximos aos da temporada em curso.

"A colheita de soja está atrasada e agricultores devem avaliar a compra de insumos para a próxima safra apenas após a coleta. O investimento em insumos na próxima safra de soja deverá se manter estável, pois a área cultivada deverá ser similar à área plantada na safra 2017-18", colocou Marcelo Garrido, economista do Deral.

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