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Soja: La Niña não inibirá nova safra recorde

12 Apr 2018 16:14 (+01:00 GMT)
Soja: La Niña não inibirá nova safra recorde

Rio de Janeiro, 12 April (Argus) — A elevação das últimas estimativas para a safra de soja brasileira 2017-18 por diferentes órgãos públicos esta semana aponta para um novo recorde na produção da oleaginosa no país. A mudança de perspectiva reflete a evolução mais amena do fenômeno climático La Niña, cuja previsão inicial de severidade indicada na segunda metade do ano passado pautou as projeções conservadoras iniciais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou suas projeções para a safra 2017-18 de soja em 886.700t para 114,96 milhões de t, alta de 1,9 milhões de t frente à estimativa divulgada em março.A elevação foi estimulada pela expansão de 3,5pc da área plantada com a oleaginosa para 35 milhões de ha. No ciclo 2016-17, quando o clima foi considerado ideal, o Brasil produziu 114 milhões de t de soja.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estimou alta ainda maior para a produção brasileira do grão, acompanhando a recuperação das lavouras após a seca observada durante o plantio.O órgão aumentou suas projeções para a safra 2017-18 de soja em 900.000t para 115 milhões de t, elevação de 2 milhões de t sobre a perspectiva de março.

O clima instável observado durante a safra atual deriva do fenômeno climático La Niña. "Desde o segundo semestre do ano passado, esperava-se que a La Niña seria de média ou forte intensidade, mas isso não aconteceu, amenizando os impactos do fenômeno previstos à época do plantio de soja", disse Renata Tedeschi, climatologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). "Uma La Niña de média intensidade torna o tempo mais chuvoso nas regiões Norte e Nordeste e mais seco na região Sul. Já para as regiões Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos variam e se alternam entre secas ou excesso de chuvas", completou.

O tempo seco adiou a semeadura do grão para além da janela considerada ideal para o plantio em várias regiões, reduzindo a produtividade esperada. A colheita da safra brasileira soma 80pc da área cultivada, segundo a Conab, mas está atrasada no Sul e em Matopiba em virtude do excesso de chuvas registrado desde março.

Em Mato Grosso, principal estado produtor brasileiro de soja, o tempo seco visto durante o plantio da safra 2017-18 reduziu as projeções para a produtividade do estado à época, mas as lavouras se recuperaram ao longo do ciclo, e devem encerrar a temporada atual com altas na produtividade e produção. A Conab estima que a área plantada e a produtividade da safra de soja mato-grossense crescerão 2,1pc e 1,1pc, respectivamente, sustentando o avanço de 3,2pc para 31,5 milhões de t para a produção estadual da oleaginosa.

A elevada pluviosidade impulsionou a produção do grão em Matopiba, mas está atrapalhando a colheita, que segue em curso. "O clima chuvoso somou-se ao uso de sementes adaptadas ao clima local e à maior aplicação de adubos para alavancar a produção de soja nesta safra", disse o presidente de um grupo agrícola que atua na região. "Agora, o excesso de chuvas está retardando a coleta, mas não prevemos prejuízos à qualidade", completou.

A região Sul também sofreu prejuízos devido ao clima instável, e o recuo previsto para a produtividade das safras locais deve limitar a produção de soja na temporada 2017-18. A Conab estima declínio anual de 2,2pc na produção paranaense da oleaginosa para 19,2 milhões de t, enquanto agricultores gaúchos devem colher 16,6 milhões de t no ciclo atual, queda anual de 11,1pc.

A produção recorde de soja na safra 2017-18 deve se aliar à alta nos preços da oleaginosa, que mantêm tendência ascendente desde o início do ano, para sustentar as compras de fertilizantes para uso na safra 2018-19. A expectativa é que a demanda se aqueça após o término da colheita da safra atual, mas as compras seguem represadas em função do aumento anual nas relações de troca entre a oleaginosa e os adubos observado ao longo do primeiro trimestre.

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