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Importações brasileiras de MAP estão atrasadas

03 May 2018 22:49 (+01:00 GMT)
Importações brasileiras de MAP estão atrasadas

Rio de Janeiro, 3 May (Argus) — As importações brasileiras de MAP programadas para desembarque em maio estão abaixo do volume recebido no mesmo mês de 2017, uma vez que compradores aguardam um aumento na disponibilidade de produto chinês. Importadores correm risco de ficar curtos em junho, quando o interesse comprador geralmente começa a ganhar ritmo.

Importadores brasileiros de MAP aguardam a chegada de 290.000t do nutriente em maio, montante inferior às 430.000t recebidas no mesmo período em 2017, segundo agências de navegação.

As aquisições de adubos para uso na safra de verão de soja tradicionalmente acontecem entre maio-agosto, mas fazendeiros têm adiado suas compras devido ao aperto nas margens causado pela alta nos custos de insumos agrícolas.

Os preços dos fosfatados no Ocidente se firmaram desde que a produtora norte-americana Mosaic decidiu paralisar sua planta de 1,7 milhão de t/ano em outubro de 2017, limitando o apetite dos compradores por MAP importado este ano.

Contudo, a decisão de importadores brasileiros de segurar as compras à espera de uma elevação na disponibilidade global dos fosfatados pode ser minada pelo aumento da demanda em outros mercados.

Produtores que costumam exportar fosfatados ao Ocidente no segundo trimestre agora estão focados em abastecer a Índia. O fortalecimento da procura por DAP importado na Índia e no Paquistão na segunda metade de abril deve elevar a granulação de DAP em detrimento de MAP nos próximos meses.

A produtora marroquina OCP, uma das principais fornecedoras de fosfatados ao Brasil, enviará um único navio ao país em maio. A produtora exportou 161.000t de MAP em maio de 2017, segundo levantamento feito pela Argus. A OCP está focada em atender à demanda no Oriente e por isso está carregando quatro navios com cerca de 220.000t de DAP para compradores indianos no próximo mês.

Mas há outros produtores interessados em cobrir o espaço deixado no mercado brasileiro. As sauditas Sabic e a Ma'aden procuram um destino para sua capacidade produtiva adicional no próximo mês à medida que progride a expansão escalonada do complexo Wa'ad Al-Shamal. Os embarques sauditas de MAP ao Brasil devem somar 100.000t em maio, segundo agências marítimas.

A Mosaic exportará cerca de 81.000t de MAP norte-americano no próximo mês, mas a disponibilidade dos produtores está cada vez mais apertada – Ma'aden e Sabic venderam cerca de 275.000t de DAP à Índia para embarque entre maio-junho. A Sabic está esgotada até junho.

Compradores brasileiros não reclamam em esperar pelo aumento na disponibilidade de MAP chinês tradicional e com baixo teor de fósforo, após o fim da temporada de aplicações na China em abril. As ofertas de venda de MAP caíram para permanecerem competitivas, uma vez que fornecedores buscam exportar suas produções devido ao enfraquecimento na demanda chinesa por NPK.

Importadores brasileiros estão se arriscando ao dependerem de fornecedores chineses, uma vez que os produtores do país tiveram sua produção limitada pelo enrijecimento da legislação ambiental imposto pelo governo. Fabricantes de MAP às margens do rio Yangtze foram particularmente afetados pelas restrições, que limitaram suas taxas operacionais.

As exportações de MAP chinês caíram 30pc no primeiro trimestre para 338.000t, com o Brasil recebendo apenas 3.000t de MAP 11-52, 11-44 e 10-50. No mesmo período do ano passado, as aquisições brasileiras de MAP chinês somaram 91.000t, de acordo com o Global Trade Information Services (GTIS, na silga em inglês).

Os preços de MAP 11-44 caíram de aproximadamente $360/t fob China em média em fevereiro para $330-335/t fob na última semana, conforme fornecedores locais se voltaram ao mercado externo. O diferencial entre os preços de MAP 11-52 e 11-44 chineses – em termos de P2O5 – no Brasil indica que a queda nos valores de MAP 11-44 ainda não anima os compradores. O MAP 11-52 continua mais competitivo que as variedades com menor teor de fósforo em termos cfr Brasil, o que tem limitado a demanda por produto chinês apesar dos preços teóricos e correntes de MAP 11-44 estarem convergindo.

Os valores teóricos de MAP 11-44 em termos de P2O5 deveriam estar entre $353-357/t cfr, com base em um MAP 11-52 cotado a $417-422/t cfr. A faixa Argus de MAP 11-44 chinês da semana passada, contudo, é de $355-360/t cfr, indicando a existência de um prêmio frente ao MAP 11-52 - apesar do maior tempo de transporte entre a China e o Brasil e da percepção de baixa qualidade por parte de compradores brasileiros.

A queda nas ofertas de venda de MAP chinês começou a animar alguns compradores, com traders começando a tomar posições longas. Há cerca de 15.000t de MAP programadas para desembarque em maio para os sistemas de distribuição brasileiros – o primeiro volume relevante de produto chinês no ano. Uma trading baseada em Cingapura comprou um barco com 10.000t combinadas de MAP chinês para entrega no início de junho. Mais toneladas devem ser adquiridas para compensar a falta de produto marroquino no mercado brasileiro, o que deve ocorrer em breve.

Importadores brasileiros ainda podem esperar para receber MAP, mas os estoques estão cada vez mais apertados.

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