A Adecoagro apresentou resultados fortes da divisão de açúcar e etanol no Brasil no primeiro trimestre devido ao aumento da disponibilidade de cana-de-açúcar, que mais do que compensaram a fraqueza dos negócios com grãos, afetados pela seca na Argentina.
A moagem de cana-de-açúcar da empresa argentina do setor agrícola mais que quintuplicou na base anual, para 1,5 milhão de t, em meio à sólida produtividade e às condições climáticas favoráveis no Centro-Sul ao longo do trimestre – tradicionalmente, o período de entressafra do setor sucroalcooleiro. A companhia continua confiante de que seu volume de moagem, em 2023, será cerca de 15pc maior do que em 2022.
A receita líquida da Adecoagro atingiu $245 milhões no período, alta de 22pc em comparação aos $201 milhões no mesmo intervalo no ano passado. O crescimento foi impulsionado por preços mais elevados de açúcar e pelo aumento nos volumes de etanol anidro vendidos.
Em termos de mix de produção, a empresa direcionou 54pc de sua safra de cana-de-açúcar para o etanol no trimestre, enquanto 46pc foi para o açúcar. O etanol anidro representou 71pc da produção total do biocombustível, comparado a 49pc no mesmo intervalo em 2022, diante do prêmio mais alto para o anidro frente ao hidratado. Para tanto, a Adecoagro desidratou estoques existentes de etanol hidratado, usando o bagaço como biomassa, com o objetivo de vender o anidro resultante no mercado interno e na Europa.
A Adecoagro vendeu 70.948m³ de etanol no primeiro trimestre, queda de 17pc na variação anual, à medida que a empresa decidiu reduzir os volumes de hidratado e constituir estoques, em razão dos preços menores no mercado spot durante o período. Já as vendas de açúcar cresceram mais que seis vezes, para quase 106.250t, na esteira da contínua demanda global pelo açúcar brasileiro.
Assim, o lucro líquido ajustado da Adecoagro registrou $39 milhões nos primeiros três meses do ano, mais que o dobro do ano anterior, apesar da diminuição dos números na divisão agrícola, do aumento de custos devido ao maior volume de moagem e de insumos.
Frota de biometano
A Adecoagro informou que agora está usando biometano 100pc produzido da vinhaça – um subproduto do processo de produção do etanol – como combustível para sua frota de veículos, substituindo o diesel.
O movimento aconteceu após a companhia atingir "estabilidade e maturidade tecnológica na produção de biogás e em sua conversão para biometano".
Além da redução de custos com combustível, a empresa espera melhorar sua pegada de carbono e elevar a nota de eficiência energético-ambiental sob a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio), visando aumentar a receita das vendas de créditos de descarbonização (Cbios).

