A produção de etanol hidratado mais que dobrou no Centro-Sul na primeira quinzena de março, com as vendas em alta graças aos preços mais favoráveis em relação à gasolina nas bombas.
Só a produção de hidratado atingiu 336.000m³ de 1 a 16 de março, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). Isso representa um avanço de 103pc em relação aos 165.000m³ do mesmo período no ano anterior.
No total, as usinas entregaram 367.000m³ de etanol no período, alta de 38pc em comparação aos 265.000m³ do ano anterior. A produção de etanol anidro, que é misturado na gasolina, caiu 69pc, para apenas 31.000m³, ante 100.000m³ no início de março de 2023.
A produção foi impulsionada pelas vendas crescentes de hidratado, que avançaram 84pc no período na base anual, totalizando 998.400m³ - com 933.800m³ destinados ao mercado interno.
O consumo do biocombustível está ganhando força desde o segundo semestre de 2023, ao passo que os preços da gasolina subiram e uma safra recorde de cana-de-açúcar expandiu a oferta do produto.
No mês, a paridade de preços do hidratado em relação à gasolina foi de 69pc, em média, até a semana encerrada em 16 de março, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A paridade em São Paulo chegou a marcar 61pc.
Enquanto isso, as vendas totais de anidro subiram 12pc no mercado doméstico, para 462.700m³.
As exportações totais de etanol também aumentaram, saltando 33pc no período, para 68.400m³. Deste total, 64.600m³ foram de hidratado e 3.800m³, de anidro.
Safra
A moagem de cana-de-açúcar no período mais que triplicou em relação ao ano anterior, para 2,2 milhões de t, em meio a uma temporada recorde.
O resultado indica que o processamento de matéria-prima do ciclo pode ultrapassar as 650 milhões de t previstas pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) e outras fontes de mercado. O país moeu 649,3 milhões de t desde 1 de abril.
O mix de cana-de-açúcar no intervalo foi de 72,4pc para o etanol e 27,6pc para o açúcar, contra 73pc para o biocombustível no mesmo período do ano passado. Para a temporada de 2024-25, que começa em 1 de abril, a mistura deve ser mais açucareira, segundo participantes consultados pela Argus.
A próxima safra não deve repetir os volumes recordes da atual, dado que participantes preveem um volume de 590 milhões t a 620 milhões de t, dependendo dos níveis de chuva até o fim de abril.


