Falando de Mercado: Como a Argus apura os preços de etanol do Nordeste

Author Argus

O mercado de etanol do Nordeste brasileiro segue crescendo em importância, com uma dinâmica de preços muito particular.

Junte-se a Camila Dias, Chefe de Redação da Argus no Brasil, e Amance Boutin, Editor do relatório Argus Brasil Combustíveis, para conhecer a robusta metodologia adotada pela Argus para publicar indicadores de preços de etanol comercializado no Nordeste brasileiro com total transparência.

Baixe aqui uma breve apresentação com mais detalhes sobre esta metodologia e como estes preços são apurados.



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Transcript

CD: Amance, pra começar, eu queria que vc explicasse como os preços que a Argus publica são coletados?

AB: Os reporteres da Argus são treinados de maneira constante para fazer este levantamento segundo nossas regras de metodologia. Eles falam ao longo do dia com os profissionais na linha de frente de mercado, coletando informações de preços que eles vão checar com contrapartes e outros agentes de mercado. Esta coleta ocorre em uma janela determinada, e após o fechamento do mercado o reporter calcula quais foram os valores mínimos e máximos da sessão, além de fazer uma média ponderada por volume das transações reportadas.

CD: Quais premissas que a Argus segue para compôr seus indicadores?

AB: Depende dos mercados, mas os critérios são sempre estabelecidos junto com o mercado, que informa a maneira (prazo, volume, tipo de entrega) como o mercado opera. O trabalho da Argus, além de checar se as informações passadas seguem esses critérios, é de checar se não tem nenhuma venda fora do padrão, se alguma informação pode levar a algum tipo de erro, ou tirar eventuais vendas duplicadas entre vendedores e compradores. Antes do fechamento da nossa publicação, um editor checa este trabalho de levantamento, assim como o comentário de mercado que acompanha a publicação dos preços.

CD: Amance, você comentou que a Argus publicava uma média ponderada por volume de preços. Por que isso é importante?

AB: Como comentei anteriormente, no processo de apuração, o reporter da Argus faz um trabalho de seleção das informações reportadas para atender aos critérios metodológicos da Argus. No caso do etanol, esses critérios são:

  • Mercado spot, ou seja, mercado à vista
  • Volume negociado maior que 90m³ por transação
  • Total de negócios superior a 270m³
  • Entrega do produto entre 0-20 dias
  • Exclusão de outliers, ou seja, tirar aqueles negócios muito fora da curva dos negócios do dia que podem distorcer a análise do que aconteceu no mercado naquele dia.

Em seguida as vendas que atendem esses critérios são somadas levando em consideração seu volume. Esta média ponderada por volume permite uma representação mais fidedigna da dinâmica do mercado, dando mais peso aos participantes de mercado mais ativos e mais relevantes no mercado spot.

A Argus não considera nenhum tamanho máximo de transação na formação dos seus indicadores. Assim, as transações mais representativas acabam sendo refletidas no indicador.

CD: Entendi. Mas e se não houver nenhum negócio em determinado período no mercado, como a Argus procede?

AB: Em caso de baixa liquidez no mercado spot, a Argus compõe um preço com base em outras informações de mercado, tais como:

  • Transações com volume abaixo de 90m³
  • Ofertas de venda e de compra
  • Diferenciais logísticos entre regiões
  • Spreads entre produtos, períodos de entregas

Em todos os casos, a Argus informa o raciocínio por trás do que a gente chama de avaliação inteligente.

CD: Ótimo, Amance. Agora eu queria falar especificamente sobre a cobertura de etanol que a Argus faz no Nordeste. Como ela é feita?

AB: Sim. Então, em 2017 nos identificamos os locais de Suape, Fortaleza e SFDC como os principais hubs de abastecimento de combustíveis no Nordeste e escolhemos estas praças para desenvolver indicadores de preços de etanol hidratado e anidro spot.

Isso por conta da próximidade com o centro produtivo de Paraíba-Pernambuco-Alagoas que abastece estas praças via o modal rodoviário. Esses locais também contam com uma infraestrutura portuária que permite a chegada de produto tanto importado quanto por cabotagem. Mas o que mais destaca essas praças são sua liquidez e sua influência na precificação de outras praças tais como Cabedelo, Crato, Maceió e Jequié. Isso porque os três locais contam com uma grande capacidade de armazenamento.

Esta relevância fez com que a Argus se tornasse uma referência reconhecida no mercado como um benchmark, atendendo múltiplas finalidades, como o uso nos contratos da resolução 67 da ANP e ou para avaliar os preços de referência interna das empresas.

CD: Amance, o que difere o levantamento de preços da Argus do levantamento que é feito por outras agênciasde preços e por que?

AB: Bem, primeiro tem o uso da MPV que eu expliquei antes, além dos critérios próprios da Argus que são volume mínimo, ausência de tamanho máximo para considerar as vendas.

Além disso, a Argus publica, explica e disponibiliza os elementos de cálculo de frete e a base das transações, o que garante maior transparência.

A Argus normaliza as vendas em uma base DAP, usando o valor de frete reportado pela empresa ou os valores de referência de frete publicados no relatório.

CD: Amance, eu entendi que os indicadores da Argus incluem mais origens de produto, mas o quão relevantes são em termos de volume de transação em relação ao mercado total?

AB: As vendas spot de etanol anidro reportadas a Argus alcançaram mais de 80.000m³ no ano passado. O mercado pernambucano, considerando não apenas o mercado spot, mas as transferências internas das distribuidoras, as vendas sob regime de contrato, ficou em quase 344.000m³ neste período segundo as informações da ANP, então a representatividade é alta. No caso do etanol hidratado, o que foi reportado à Argus com destino a Suape representou mais de um terço de todo o consumo do estado de Pernambuco no ano passado.

CD: E qual é o nível de engajamento dos participantes de mercado, Amance? Qual é o perfil das empresas que reportam as transações para a Argus?

AB: A Argus conta com a participação de quase 90% do mercado distribuidor de anidro em volume no seu processo de levantamento de preços. São empresas que assinam o nosso relatório e enviam suas vendas diretamente por email. Outros participantes reportam via telefone, e alguns têm interesse em conversar apenas sobre tendências de mercado.

Do lado produtor, a Argus conta também com a ajuda de produtores e corretores da região.

CD: Excelente, Amance, muito obrigada pelas explicações, é fundamental a gente entender como é feito esse levantamento de preços num mercado tão importante para o etanol quanto o Nordeste.

Esse e os demais episódios dos nossos webcasts e podcast em português estão disponíveis no site da Argus em www.argusmedia.com/falando-de-mercado. Lembrando que no nosso site você pode acompanhar também gráficos e outros detalhes sobre como esses preços são apurados.

Visite a página para seguir acompanhando os acontecimentos que pautam os mercados globais de commodities e entender seus desobramentos no Brasil e na América Latina. Voltaremos em breve com mais uma edição do “Falando de Mercado”. Até logo!

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