Visão geral
Os mercados de carbono estão se desenvolvendo como uma alavanca econômica crucial no desafio de reverter a acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra, enquanto o CO2 continua sendo um fator chave em uma variedade de setores industriais.
Os governos nacionais estão adotando mercados de carbono, com uma proliferação de políticas de preços de carbono em todo o mundo. O setor privado está canalizando o financiamento para projetos que geram reduções e remoção de emissões de carbono para mitigar suas emissões difíceis de reduzir.
E as Nações Unidas estão fazendo progressos na construção de um mercado global para reduções de emissões de carbono que facilitará as tentativas das nações de cumprir suas obrigações sob o Acordo de Paris.
Os setores industriais continuam sendo uma fonte chave de emissões e consumo de CO2, com a inovação olhando para métodos sustentáveis de produção e utilização.
A Argus está preparando o cenário para um período prolongado de crescimento, evolução e interconexão de participantes e iniciativas do mercado de carbono.
Últimas notícias dos mercados de carbono
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Etanol anidro tem prêmios mais baixos em 2026-27
Etanol anidro tem prêmios mais baixos em 2026-27
Sao Paulo, 7 May (Argus) — Os prêmios dos contratos de etanol anidro no Centro-Sul para o período entre 1º junho de 2026-31 de maio de 2027 recuaram em relação à temporada 2025-26, em função da expectativa de produção recorde nesta safra de cana-de-açúcar. O anidro foi negociado em São Paulo a prêmios entre 10-11pc sobre o preço à vista do hidratado na maior parte do volume contratado até 2º de maio, segundo levantamento da Argus com as principais empresas do setor. Os maiores volumes em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás ficaram com prêmios entre 9-11pc. No ciclo 2025-26, o intervalo foi de 12-13pc no Centro-Sul. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) exige que as distribuidoras garantam o suprimento do anidro de maneira antecipada, por meio de duas modalidades: o regime de compra direta ou de contratação. No regime de contrato, distribuidoras asseguram para o ano seguinte volumes compatíveis com 90pc da quantidade de gasolina C comercializada no ano anterior. A meta de contratação do setor para 2026-27 é de 12,5 milhões de m³ de anidro, ante 10,6 milhões de m³ em 2025-26, de acordo com a ANP. Pelo menos 70pc dos extratos desses contratos devem ser apresentados ao órgão regulador até 2 de maio, anualmente. Os 20pc restantes podem ser entregues até 1º de julho. Os participantes podem fechar contratos com volumes acima do exigido. Nesta rodada, porém, muitos compradores decidiram estrategicamente contratar apenas o obrigatório, deixando mais espaço para atuar no spot. O motivo é a expectativa de preços à vista atrativos ao longo da safra 2026-27, quando esperam oferta ampla de etanol. A recuperação dos canaviais, um mix mais alcooleiro no primeiro semestre e a expansão da produção a partir do milho devem impulsionar a fabricação de etanol aos maiores níveis da série histórica. A entrada dos volumes da nova safra fez os preços do etanol anidro no Centro-Sul no spot caírem 18pc entre março-abril, para R$2.896/m³ equivalente Ribeirão Preto na última cotação do mês. Paralelamente, o preço da retirada do anidro baixou 20pc no mês, para R$ R$2.842/m³ em 30 de abril. A postura comedida do lado comprador ajudou a pesar nos prêmios, mesmo com o suporte da expectativa de avanço de mescla obrigatória na gasolina, dos atuais 30pc para 32pc (E32). A elevação da mistura deve ser analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O encontro ocorreria nesta quinta-feira, mas foi adiada, sem uma nova data divulgada pelo órgão até o fechamento desta edição. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a pauta como uma medida para aumentar a segurança energética do Brasil, enquanto o mundo enfrenta obstáculos nos mercados de petróleo e derivados. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima que o E32 injetará uma demanda adicional por etanol anidro de cerca de 1 milhão de m³/ano ante o E30. Em relação ao suprimento adicional necessário para atender ao E32, distribuidoras esperam adquiri-lo no mercado à vista ou por meio de cláusulas de flexibilidade previstas nos contratos. As partes negociaram a possibilidade de retirar cerca de 20pc a mais ou menos de volume de anidro sem precisar renegociar contratos, de olho no aumento de mescla. Por Maria Lígia Barros Anidro no Centro-Sul: retirada de contrato vs. spot R$/m³ Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
Aumento de mescla do biodiesel atrasará em um ano
Aumento de mescla do biodiesel atrasará em um ano
Sao Paulo, 16 April (Argus) — A elevação do mandato da mescla de biodiesel atrasará até, pelo menos, março de 2027, após o Ministério de Minas e Energia (MME) prorrogar o cronograma dos testes de viabilidade, de acordo com o novo plano apresentado a participantes do mercado. A Lei do Combustível do Futuro previa aumentar a mescla de 15pc (B15) para 16pc (B16) em março de 2026, desde que houvesse comprovação de que os novos níveis são tecnicamente viáveis. O MME espera que o relatório final quanto à utilização de misturas de B16-20 seja aprovado até o fim de março de 2027, caso os testes confirmem, sem ressalvas, que os níveis são viáveis, de acordo com o plano ao qual a Argus obteve acesso. O novo cronograma prevê o início dos primeiros testes experimentais em junho, adiamento de três meses em relação ao plano anterior, publicado em 19 de novembro de 2025. A necessidade de mais tempo para as fases de consolidação metodológica e negociações com laboratórios atrasou parcialmente o cronograma, de acordo com o plano. A falta de infraestrutura para a realização de testes mecânicos contribuiu para postergar o prazo inicial, segundo informações apresentadas pelo MME em março. Em um cenário no qual a aprovação dependa de ajustes técnicos dos testes, o prazo para a validação do relatório final pode se estender até julho de 2027. Ainda não há datas para testes das misturas entre B20-25. O atraso na elevação de mescla coincide com a alta dos preços do diesel S10 nacionalizado no mercado à vista acima dos preços do biodiesel negociado por contrato, desde 5 de março, e com o consequente aumento da pressão pelo avanço do mandato de mescla do biodiesel. O movimento ocorre após a elevação dos preços globais de derivados de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) pressionaram neste mês a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para permitir misturas de biodiesel acima do mandato sem autorização prévia. As entidades argumentaram que o Brasil tem capacidade para fornecer uma mistura de biodiesel de até 21,6pc no diesel. O MME não respondeu ao pedido da Argus por comentários referentes ao novo cronograma. Por Lucas Lignon Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
Biometano, B16 e E35 devem pautar debate após Carnaval
Biometano, B16 e E35 devem pautar debate após Carnaval
Sao Paulo, 13 February (Argus) — O avanço de novos mandatos de mistura de biocombustíveis em combustíveis fósseis e a definição de parâmetros fundamentais para o funcionamento do mercado de biometano devem ser pautas candentes no debate da transição energética no Brasil, na volta do feriado de Carnaval. Os assuntos, tratados na Lei do Combustível do Futuro, estão em discussão no âmbito do Poder Executivo, que deve avançar na regulamentação da norma em março. Eles também figuram entre os temas prioritários da Coalizão pelos Biocombustíveis — iniciativa recém-lançada pelas frentes parlamentares da agropecuária, do biodiesel, do etanol e da economia verde com o objetivo de reunir forças políticas e econômicas no debate da transição energética no país. Escolhido coordenador da nova coalizão, o deputado federal Arnaldo Jardim argumenta que o país está pronto para avançar em estudos de viabilidade técnica para o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina até 35pc, ante atuais 30pc. No caso do biodiesel, ele defende que a elevação da mescla de 15pc para 16pc deve ser feita "o mais rapidamente possível". "Nosso parque instalado de produção está operando com capacidade ociosa. Ou seja, temos capacidade para produzir e temos um [nível de] preço adequado", disse em entrevista à Argus. O parlamentar foi relator do projeto que resultou na Lei do Combustível do Futuro, um dos marcos normativos para a pauta do desenvolvimento sustentável no país, e hoje preside a Comissão de Transição Energética da Câmara dos Deputados, além de atuar como diretor da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo. Biometano e Cgob No caso do biometano, a expectativa é de que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decida, nas próximas semanas, sobre o nível de mistura ao gás natural, além das propriedades do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (Cgob). Na avaliação do deputado, as discussões sobre o atributo ambiental e a meta de mistura estão bem estabelecidas, mas o governo ainda hesita na definição sobre a interação entre Cgob e instrumentos internacionais. O parlamentar advoga que o Brasil deve encaminhar acordos bilaterais com outros países para garantir o reconhecimento internacional do Cgob — o que muitos participantes do mercado veem como fundamental para a expansão de mercados consumidores para seus produtos. Outro ponto sensível no debate sobre o biometano envolve um eventual risco de "dupla contagem" do atributo ambiental no caso de emissões simultâneas de Cgob e créditos de descarbonização (Cbios). Tal tese é rechaçada pelo deputado. "São características muito distintas desses dois instrumentos", argumentou. Para Jardim, a experiência recente com a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio) e com a criação do Cbio também poderá auxiliar no processo de consolidação das novas regras discutidas para o mercado de biometano. Ele acredita que as vitórias recentes obtidas pelo governo contra questionamentos jurídicos ao programa dão fôlego à pauta da transição energética. "Acredito que o Renovabio se consolida. É uma das experiências internacionais mais interessantes em termos de economia verde. Sua experiência foi muito incorporada na formatação do Cgob. Acho que são instrumentos que já nascem a partir do amadurecimento da experiência do Renovabio", disse. Na leitura do parlamentar, o arcabouço legal construído pelas normas recentes coloca o Brasil na vanguarda dos biocombustíveis. Agora a ideia, diz ele, é avançar com uma proposta objetiva para o chamado "Mapa do Caminho", com iniciativas de redução gradual na dependência de combustíveis fósseis e descarbonização. Por Marcos Mortari Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
STJ endossa Cbios, mas estoques limitam preços
STJ endossa Cbios, mas estoques limitam preços
Sao Paulo, 5 February (Argus) — A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender liminares que blindavam distribuidoras inadimplentes em créditos de descarbonização (Cbios) de sanções previstas na legislação pode ampliar a demanda esperada por títulos no ciclo de 2026, mas com efeitos limitados sobre os preços. O movimento foi visto por participantes do mercado como um endosso institucional relevante para a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio) em um momento ainda desafiador para autoridades públicas no enforcement da nova lei dos Cbios (Lei nº 15.082/2024) e diante de persistente judicialização. A avaliação é de que o instrumento confere maior autoridade à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na aplicação de retaliações contra empresas em desconformidade com a política pública e pode frear novas decisões contrárias ao Renovabio em instâncias inferiores do Poder Judiciário. Ao menos 43 processos questionando o Renovabio tramitam em diversas esferas do Poder Judiciário, sendo que seis haviam resultado em liminares favoráveis a distribuidores, segundo levantamento feito pelo governo federal. Na prática, a suspensão das liminares tende a aumentar a percepção de risco de distribuidoras inadimplentes, gerando um impulso na demanda por Cbios, mas com capacidade limitada de pressionar a abundância de créditos em estoque e um ritmo acelerado de emissões esperadas para o ciclo atual. Perfil da inadimplência Das 160 distribuidoras registradas no Renovabio, 61 iniciaram o ano de 2025 com algum saldo de Cbios devidos de ciclos anteriores, segundo a ANP. O grupo de empresas enquadradas como inadimplentes do programa encerrou o ano com 29 nomes. A redução na taxa de inadimplência ao Renovabio contribuiu para elevar o percentual de cumprimento da meta em 2025 para 82pc, ante 77pc registrados no ano anterior. O resultado foi comemorado por defensores do programa, mas ainda é avaliado como tímido, considerando alterações legislativas recentes que endureceram a punição a empresas em desconformidade. Os dados da ANP mostram que 17 distribuidoras mantinham algum processo judicial relacionado ao Renovabio ao final do ano passado, sendo que apenas 7 apareciam com volumes de títulos aposentados abaixo do mínimo de 85pc estabelecido pela Lei dos Cbios (Lei nº 13.576/2017). Deste grupo, só 3 não aposentaram nenhum Cbio em 2025, de acordo com os registros oficiais. Oferta forte limita avanço de preço Na avaliação de participantes do mercado, as próximas semanas darão pistas relevantes quanto aos impactos concretos da decisão do STJ sobre a demanda por Cbios, mas os preços podem ter avanços limitados no período. O elevado nível de estoques herdado dos ciclos anteriores e as expectativas por produção recorde de etanol na próxima safra devem pressionar o preço para baixo. O ano de 2026 começou com 19,611 milhões de Cbios nas mãos dos mais diversos atores do mercado, sendo 71pc com a chamada "parte não-obrigada" (produtores de biocombustíveis registrados no Renovabio) e o restante concentrado em distribuidores. Além disso, parte dos distribuidores inadimplentes se antecipou à compra de papéis, mesmo ainda questionando o Renovabio em diferentes instâncias do Poder Judiciário, buscando aproveitar os níveis de preço mais baixos praticados neste momento no mercado. O preço médio do Cbio atingiu R$29,60 em 3 de fevereiro, cerca de 61pc abaixo do patamar observado um ano antes. Apesar de insatisfeitos com os níveis atuais, muitos produtores de biocombustíveis intensificaram movimentações na última quarta-feira, acelerando vendas na faixa de R$30 em busca de reforço de caixa. Tal postura reforçou entre agentes do mercado a percepção de que podem ser necessários outros vetores para sustentar altas mais expressivas nos preços, como não só diminuição expressiva na inadimplência, mas também metas mais agressivas de aposentadorias de Cbios nos próximos ciclos. Por Marcos Mortari Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
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