Visão geral
Os mercados de carbono estão se desenvolvendo como uma alavanca econômica crucial no desafio de reverter a acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra, enquanto o CO2 continua sendo um fator chave em uma variedade de setores industriais.
Os governos nacionais estão adotando mercados de carbono, com uma proliferação de políticas de preços de carbono em todo o mundo. O setor privado está canalizando o financiamento para projetos que geram reduções e remoção de emissões de carbono para mitigar suas emissões difíceis de reduzir.
E as Nações Unidas estão fazendo progressos na construção de um mercado global para reduções de emissões de carbono que facilitará as tentativas das nações de cumprir suas obrigações sob o Acordo de Paris.
Os setores industriais continuam sendo uma fonte chave de emissões e consumo de CO2, com a inovação olhando para métodos sustentáveis de produção e utilização.
A Argus está preparando o cenário para um período prolongado de crescimento, evolução e interconexão de participantes e iniciativas do mercado de carbono.
Últimas notícias dos mercados de carbono
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Aumento de mescla do biodiesel atrasará em um ano
Aumento de mescla do biodiesel atrasará em um ano
Sao Paulo, 16 April (Argus) — A elevação do mandato da mescla de biodiesel atrasará até, pelo menos, março de 2027, após o Ministério de Minas e Energia (MME) prorrogar o cronograma dos testes de viabilidade, de acordo com o novo plano apresentado a participantes do mercado. A Lei do Combustível do Futuro previa aumentar a mescla de 15pc (B15) para 16pc (B16) em março de 2026, desde que houvesse comprovação de que os novos níveis são tecnicamente viáveis. O MME espera que o relatório final quanto à utilização de misturas de B16-20 seja aprovado até o fim de março de 2027, caso os testes confirmem, sem ressalvas, que os níveis são viáveis, de acordo com o plano ao qual a Argus obteve acesso. O novo cronograma prevê o início dos primeiros testes experimentais em junho, adiamento de três meses em relação ao plano anterior, publicado em 19 de novembro de 2025. A necessidade de mais tempo para as fases de consolidação metodológica e negociações com laboratórios atrasou parcialmente o cronograma, de acordo com o plano. A falta de infraestrutura para a realização de testes mecânicos contribuiu para postergar o prazo inicial, segundo informações apresentadas pelo MME em março. Em um cenário no qual a aprovação dependa de ajustes técnicos dos testes, o prazo para a validação do relatório final pode se estender até julho de 2027. Ainda não há datas para testes das misturas entre B20-25. O atraso na elevação de mescla coincide com a alta dos preços do diesel S10 nacionalizado no mercado à vista acima dos preços do biodiesel negociado por contrato, desde 5 de março, e com o consequente aumento da pressão pelo avanço do mandato de mescla do biodiesel. O movimento ocorre após a elevação dos preços globais de derivados de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) pressionaram neste mês a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para permitir misturas de biodiesel acima do mandato sem autorização prévia. As entidades argumentaram que o Brasil tem capacidade para fornecer uma mistura de biodiesel de até 21,6pc no diesel. O MME não respondeu ao pedido da Argus por comentários referentes ao novo cronograma. Por Lucas Lignon Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
Biometano, B16 e E35 devem pautar debate após Carnaval
Biometano, B16 e E35 devem pautar debate após Carnaval
Sao Paulo, 13 February (Argus) — O avanço de novos mandatos de mistura de biocombustíveis em combustíveis fósseis e a definição de parâmetros fundamentais para o funcionamento do mercado de biometano devem ser pautas candentes no debate da transição energética no Brasil, na volta do feriado de Carnaval. Os assuntos, tratados na Lei do Combustível do Futuro, estão em discussão no âmbito do Poder Executivo, que deve avançar na regulamentação da norma em março. Eles também figuram entre os temas prioritários da Coalizão pelos Biocombustíveis — iniciativa recém-lançada pelas frentes parlamentares da agropecuária, do biodiesel, do etanol e da economia verde com o objetivo de reunir forças políticas e econômicas no debate da transição energética no país. Escolhido coordenador da nova coalizão, o deputado federal Arnaldo Jardim argumenta que o país está pronto para avançar em estudos de viabilidade técnica para o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina até 35pc, ante atuais 30pc. No caso do biodiesel, ele defende que a elevação da mescla de 15pc para 16pc deve ser feita "o mais rapidamente possível". "Nosso parque instalado de produção está operando com capacidade ociosa. Ou seja, temos capacidade para produzir e temos um [nível de] preço adequado", disse em entrevista à Argus. O parlamentar foi relator do projeto que resultou na Lei do Combustível do Futuro, um dos marcos normativos para a pauta do desenvolvimento sustentável no país, e hoje preside a Comissão de Transição Energética da Câmara dos Deputados, além de atuar como diretor da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo. Biometano e Cgob No caso do biometano, a expectativa é de que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decida, nas próximas semanas, sobre o nível de mistura ao gás natural, além das propriedades do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (Cgob). Na avaliação do deputado, as discussões sobre o atributo ambiental e a meta de mistura estão bem estabelecidas, mas o governo ainda hesita na definição sobre a interação entre Cgob e instrumentos internacionais. O parlamentar advoga que o Brasil deve encaminhar acordos bilaterais com outros países para garantir o reconhecimento internacional do Cgob — o que muitos participantes do mercado veem como fundamental para a expansão de mercados consumidores para seus produtos. Outro ponto sensível no debate sobre o biometano envolve um eventual risco de "dupla contagem" do atributo ambiental no caso de emissões simultâneas de Cgob e créditos de descarbonização (Cbios). Tal tese é rechaçada pelo deputado. "São características muito distintas desses dois instrumentos", argumentou. Para Jardim, a experiência recente com a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio) e com a criação do Cbio também poderá auxiliar no processo de consolidação das novas regras discutidas para o mercado de biometano. Ele acredita que as vitórias recentes obtidas pelo governo contra questionamentos jurídicos ao programa dão fôlego à pauta da transição energética. "Acredito que o Renovabio se consolida. É uma das experiências internacionais mais interessantes em termos de economia verde. Sua experiência foi muito incorporada na formatação do Cgob. Acho que são instrumentos que já nascem a partir do amadurecimento da experiência do Renovabio", disse. Na leitura do parlamentar, o arcabouço legal construído pelas normas recentes coloca o Brasil na vanguarda dos biocombustíveis. Agora a ideia, diz ele, é avançar com uma proposta objetiva para o chamado "Mapa do Caminho", com iniciativas de redução gradual na dependência de combustíveis fósseis e descarbonização. Por Marcos Mortari Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
STJ endossa Cbios, mas estoques limitam preços
STJ endossa Cbios, mas estoques limitam preços
Sao Paulo, 5 February (Argus) — A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender liminares que blindavam distribuidoras inadimplentes em créditos de descarbonização (Cbios) de sanções previstas na legislação pode ampliar a demanda esperada por títulos no ciclo de 2026, mas com efeitos limitados sobre os preços. O movimento foi visto por participantes do mercado como um endosso institucional relevante para a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio) em um momento ainda desafiador para autoridades públicas no enforcement da nova lei dos Cbios (Lei nº 15.082/2024) e diante de persistente judicialização. A avaliação é de que o instrumento confere maior autoridade à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na aplicação de retaliações contra empresas em desconformidade com a política pública e pode frear novas decisões contrárias ao Renovabio em instâncias inferiores do Poder Judiciário. Ao menos 43 processos questionando o Renovabio tramitam em diversas esferas do Poder Judiciário, sendo que seis haviam resultado em liminares favoráveis a distribuidores, segundo levantamento feito pelo governo federal. Na prática, a suspensão das liminares tende a aumentar a percepção de risco de distribuidoras inadimplentes, gerando um impulso na demanda por Cbios, mas com capacidade limitada de pressionar a abundância de créditos em estoque e um ritmo acelerado de emissões esperadas para o ciclo atual. Perfil da inadimplência Das 160 distribuidoras registradas no Renovabio, 61 iniciaram o ano de 2025 com algum saldo de Cbios devidos de ciclos anteriores, segundo a ANP. O grupo de empresas enquadradas como inadimplentes do programa encerrou o ano com 29 nomes. A redução na taxa de inadimplência ao Renovabio contribuiu para elevar o percentual de cumprimento da meta em 2025 para 82pc, ante 77pc registrados no ano anterior. O resultado foi comemorado por defensores do programa, mas ainda é avaliado como tímido, considerando alterações legislativas recentes que endureceram a punição a empresas em desconformidade. Os dados da ANP mostram que 17 distribuidoras mantinham algum processo judicial relacionado ao Renovabio ao final do ano passado, sendo que apenas 7 apareciam com volumes de títulos aposentados abaixo do mínimo de 85pc estabelecido pela Lei dos Cbios (Lei nº 13.576/2017). Deste grupo, só 3 não aposentaram nenhum Cbio em 2025, de acordo com os registros oficiais. Oferta forte limita avanço de preço Na avaliação de participantes do mercado, as próximas semanas darão pistas relevantes quanto aos impactos concretos da decisão do STJ sobre a demanda por Cbios, mas os preços podem ter avanços limitados no período. O elevado nível de estoques herdado dos ciclos anteriores e as expectativas por produção recorde de etanol na próxima safra devem pressionar o preço para baixo. O ano de 2026 começou com 19,611 milhões de Cbios nas mãos dos mais diversos atores do mercado, sendo 71pc com a chamada "parte não-obrigada" (produtores de biocombustíveis registrados no Renovabio) e o restante concentrado em distribuidores. Além disso, parte dos distribuidores inadimplentes se antecipou à compra de papéis, mesmo ainda questionando o Renovabio em diferentes instâncias do Poder Judiciário, buscando aproveitar os níveis de preço mais baixos praticados neste momento no mercado. O preço médio do Cbio atingiu R$29,60 em 3 de fevereiro, cerca de 61pc abaixo do patamar observado um ano antes. Apesar de insatisfeitos com os níveis atuais, muitos produtores de biocombustíveis intensificaram movimentações na última quarta-feira, acelerando vendas na faixa de R$30 em busca de reforço de caixa. Tal postura reforçou entre agentes do mercado a percepção de que podem ser necessários outros vetores para sustentar altas mais expressivas nos preços, como não só diminuição expressiva na inadimplência, mas também metas mais agressivas de aposentadorias de Cbios nos próximos ciclos. Por Marcos Mortari Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
CNPE define meta de 48mi de Cbios em 2026
CNPE define meta de 48mi de Cbios em 2026
Sao Paulo, 30 December (Argus) — O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou hoje a meta de descarbonização no âmbito da Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio), definida em 48,09 milhões de créditos de descarbonização (Cbio) em 2026. O valor está alinhado à proposta do governo na recente consulta pública do setor, mas é inferior aos 51 milhões-52 milhões de Cbios que os produtores de biocombustíveis recomendaram para promover maior cumprimento e impulsionar a demanda pelo crédito. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu metas individuais preliminares para distribuidores de combustíveis com base nos dados de participação de mercado entre janeiro-outubro deste ano. As metas definitivas serão publicadas até 31 de março de 2026, após os abatimentos de compras de biocombustíveis em contratos de longo prazo e ajustes ao cumprimento de normas dos anos anteriores. O Itaú BBA projeta que a meta estabelecida, combinada com obrigações descumpridas de 2025 mais as deduções de contratos de longo prazo, totalizem cerca de 3 milhões de Cbios. As metas individuais podem chegar a aproximadamente 52,5 milhões de Cbios. Os estoques que serão carregados de 2025 para 2026 podem chegar a 36,1 milhões de Cbios. A geração de biodiesel deve somar 8,3 milhões de créditos, enquanto as de biometano podem contribuir com outros 200.000 créditos, somando uma oferta total de cerca de 44,6 milhões de Cbios ao longo do ano. Com esses estoques, o Itaú BBA calcula uma disponibilidade agregada de 61,7 milhões de Cbios, muito acima do meta efetiva de 52,5 milhões. Até em caso de inadimplência zero, o superávit final pode chegar a 9 milhões de Cbios. Em um cenário-base de 85pc de adesão, o superávit pode diminuir para 17,1 milhões de Cbios, sendo ainda suficiente para manter os preços baixos. O relatório afirma que os preços de Cbios devem permanecer sob pressão, barrando obstáculos judiciais ou alterações de enforcement pela ANP. O texto também destaca que aumentos de mesclas em combustíveis fósseis podem influenciar futuros ajustes da meta. Por Rebecca Gompertz Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2025. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
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