Visão geral
Os mercados de carbono estão se desenvolvendo como uma alavanca econômica crucial no desafio de reverter a acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra, enquanto o CO2 continua sendo um fator chave em uma variedade de setores industriais.
Os governos nacionais estão adotando mercados de carbono, com uma proliferação de políticas de preços de carbono em todo o mundo. O setor privado está canalizando o financiamento para projetos que geram reduções e remoção de emissões de carbono para mitigar suas emissões difíceis de reduzir.
E as Nações Unidas estão fazendo progressos na construção de um mercado global para reduções de emissões de carbono que facilitará as tentativas das nações de cumprir suas obrigações sob o Acordo de Paris.
Os setores industriais continuam sendo uma fonte chave de emissões e consumo de CO2, com a inovação olhando para métodos sustentáveis de produção e utilização.
A Argus está preparando o cenário para um período prolongado de crescimento, evolução e interconexão de participantes e iniciativas do mercado de carbono.
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Etanol deve impulsionar vendas do Ciclo Otto no 5º bi
Etanol deve impulsionar vendas do Ciclo Otto no 5º bi
Sao Paulo, 22 September (Argus) — O crescimento nas vendas de etanol hidratado deve compensar a queda no consumo de gasolina C e elevar os volumes negociados do Ciclo Otto no quinto bimestre, segundo levantamento conduzido pela Argus com as principais distribuidoras do Brasil. A mediana das projeções do setor aponta para um consumo conjunto de 5,9 milhões de m³ de gasolina C – combustível misturado com 32pc de etanol anidro – e etanol hidratado em setembro e aproximadamente 6,1 milhões de m³ em outubro. Se confirmados, os volumes representarão altas de 3,4pc e 2,5pc em comparação com as vendas de Ciclo Otto em setembro e outubro de 2025, respectivamente, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os níveis de paridade mais competitivos do etanol hidratado em relação à gasolina C devem impulsionar o consumo no período. A paridade de preços entre os dois combustíveis alcançou 61,7pc, em média, nas três primeiras semanas de setembro, de acordo com dados da ANP. No mesmo período de 2025, a paridade registrou média de 68,5pc. O movimento reflete um cenário de preços mais baixos para o etanol hidratado, em razão de expectativas de produção recorde do biocombustível na safra 2026-27, e um cenário de aumento para os preços da gasolina, diante do conflito entre EUA-Irã no Oriente Médio. As medianas das projeções do setor para o consumo de etanol hidratado apontam para aproximadamente 2,1 milhões de m³ tanto para setembro quanto para outubro. Os volumes representam respectivas altas de quase 17pc e 14pc em relação aos mesmos meses de 2025, segundo dados da ANP. Para gasolina, é esperado um consumo de 3,8 milhões de m³ em setembro e aproximadamente 4 milhões de m³ em outubro. Os volumes ficariam 2,9pc e 2,6pc abaixo, respectivamente, das vendas do combustível fóssil registradas nos mesmos meses de 2025, de acordo com a ANP. A recente valorização nos preços do açúcar e preocupações com os efeitos do El Niño na produção de cana-de-açúcar podem sustentar uma alta nas cotações do etanol nas próximas semanas. Porém, o movimento não deve ser suficiente para mudar o perfil da paridade de preços entre os dois combustíveis rodoviários, segundo participantes de mercado. Diesel Distribuidoras esperam queda no consumo de diesel B – combustível misturado com 15pc de biodiesel – nos próximos dois meses. Participantes de mercado mencionam uma possível desaceleração da economia no período e expectativas de alta para o preço do combustível como fatores que contribuem para volumes menores. A mediana das projeções aponta para uma demanda de 6,1 milhões de m³ de diesel em setembro e quase 6,4 milhões de m³ em outubro. Se confirmados, os volumes representarão quedas de 1,8pc e 0,9pc, respectivamente, ante os mesmos meses de 2025, de acordo com a ANP. Distribuidoras relatam uma aceleração no consumo de diesel nas primeiras semanas de setembro, porém acreditam que uma alta nos preços do combustível pode frear a demanda a partir de outubro. Os preços de revenda do diesel B aumentaram aproximadamente 4pc na média nacional na semana iniciada em 13 de setembro, ante a última semana de agosto, segundo dados da ANP. Os preços atuais também representam alta de 18pc em relação à mesma semana de 2025. O setor espera que os preços continuem subindo nas próximas semanas, devido à intensificação do conflito no Oriente Médio e ao aumento das preocupações com uma disrupção global na oferta do combustível. A menor disponibilidade de produto importado no país neste mês, combinado ao período sazonal de maior demanda doméstica entre setembro-outubro, reforçam as perspectivas de alta para os preços do combustível. Por Maria Albuquerque Projeções para consumo de combustíveis rodoviários .000 m³ Setembro Outubro Combustível Projeção (2026) ANP (2025) % Projeção (2026) ANP (2025) % Diesel B 6136,0 6245,9 -1,8 6376,1 6432,0 -0,9 Gasolina C 3831,0 3946,7 -2,9 4039,0 4144,9 -2,6 Etanol hidratado 2054,5 1752,4 17,2 2096,5 1844,9 13,6 Ciclo Otto 5893,5 5699,1 3,4 6141,0 5989,9 2,5 Fonte: Argus, ANP Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
El Niño ameaça moagem, produção de etanol segue forte
El Niño ameaça moagem, produção de etanol segue forte
Sao Paulo, 30 July (Argus) — O El Niño pode provocar um recuo no volume de cana-de-açúcar processado em 2026-27 ao postergar as operações de moagem no Centro-Sul, mas não a ponto de alterar expectativas de produção recorde de etanol. O fenômeno climático se estabeleceu em 11 de junho e deve atingir o pico entre 22 de setembro-21 de dezembro, segundo o Instituto de Meteorologia dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). No Centro-Sul, o setor sucroalcooleiro estará suscetível às altas temperaturas e chuvas irregulares. O impacto tende a ser limitado nos números desta safra, visto que o pico do El Niño ocorrerá nos últimos meses de colheita no Centro-Sul. Alguns produtores aceleraram a moagem para evitar ter cana em pé durante a fase mais crítica, uma estratégia para driblar os efeitos nos canaviais. Os maiores riscos decorrem da possibilidade de as chuvas postergarem a moagem na reta final da safra e aumentarem a quantidade de cana bisada – a cana-de-açúcar que, em vez de ser moída na safra vigente, é mantida no campo para o ciclo seguinte. Isso pode reduzir o volume moído nesta safra, entre 1º de abril de 2026-31 de março de 2027 — em 20 milhões de toneladas (t) no Centro-Sul, por falta de tempo hábil para processar a cana-de-açúcar, avaliam empresas do setor. Atualmente, o consenso do mercado estima 638,5 milhões de t. Mesmo com um cenário de perdas, ainda seria maior que os 616,2 milhões de m³ processados em 2025-26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O mix de açúcar também pode ser afetado. Mais chuvas podem diminuir a concentração de sacarose na planta, dificultando a cristalização e a fabricação do adoçante. Com isso, as usinas podem encontrar dificuldade em maximizar a produção de açúcar. A mediana das estimativas de participantes de mercado para o mix de produção no Centro-Sul está em 47,1pc de açúcar e 52,9pc de etanol. Isso se compara com o mix de 50,38pc de açúcar e 49,62pc de etanol verificado em 2025-26, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O setor continua vendo forte fabricação do biocombustível nesta safra: 38,05 milhões de m³, considerando tanto etanol anidro quanto hidratado, o que seria a máxima na série histórica de 18 safras da Conab. O El Niño deve durar até o fim do verão no Hemisfério Sul, ou seja, até 31 de março de 2027, segundo o NOAA, deixando impactos também no próximo ciclo. O eventual aumento no volume de cana bisada para 2027-28 se somaria ao cenário de estoques fortalecidos e de crescimento nas operações de etanol de milho, acrescentando pressão aos preços no início da próxima safra. Participantes de mercado também acreditam que o El Niño pode potencializar o rendimento dos canaviais em 2026-27, sobretudo caso se concretize o cenário de chuvas acima da média. El Niño mais forte que a média A intensidade do fenômeno supera as ocorrências em anos anteriores, acelerando ainda mais o aquecimento das águas e influenciando maiores temperaturas — de até 4°C acima da média — no cerrado brasileiro, incluindo os estados de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, explica o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos. Um El Niño mais intenso já é apontado como um dos fatores por trás de eventos extremos recentes, como o temporal com ventos de 160 km/h em Ribeirão Preto (SP) e o tornado registrado em Salgado Filho (RS). As culturas de soja, milho e café podem ser beneficiadas pelo fenômeno climático na região Centro-Sul, afirma o especialista. Por Maria Lígia Barros e João Curi Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
Gasolina perde competitividade frente ao etanol na BA
Gasolina perde competitividade frente ao etanol na BA
Sao Paulo, 2 June (Argus) — A produção de etanol de milho na Bahia e a guerra entre Estados Unidos e Irã tornaram o etanol hidratado mais competitivo do que a gasolina no estado, fazendo distribuidoras reavaliarem operações. A paridade de preços no varejo entre o etanol hidratado e a gasolina na Bahia caiu abaixo dos 70pc na segunda semana de maio, atingindo mínimas desde novembro de 2024, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O percentual alcançou 68pc na semana passada, dado mais recente do órgão regulador. Alguns varejistas da região relataram à Argus que o volume de vendas diárias de etanol hidratado chegou a dobrar desde que a paridade passou a favorecer o consumo do biocombustível. A mudança chama atenção, pois historicamente o estado possui uma predominância no consumo de gasolina. O recuo na paridade reflete, em maior parte, a valorização dos preços da gasolina após o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O movimento foi mais amplificado na Bahia em relação a outros estados, em função dos preços de produtores privados na região – mais expostos às variações do mercado internacional. Os preços de revenda da gasolina comum – combustível misturado com etanol anidro – aumentou quase 12pc na Bahia entre a semana iniciada em 24 de maio e a semana anterior ao início do conflito, de acordo com a ANP. Na média nacional, os preços subiram 5pc. A mudança na competitividade entre os dois combustíveis também é apoiada pela menor disponibilidade de gasolina no mercado à vista do Nordeste. Importadores mantiveram um ritmo lento de importações de gasolina durante o mês de maio, devido a arbitragem fechada para importação e incertezas quanto à demanda doméstica do combustível. O custo de reposição para gasolina A importada entregue em Suape e mais um porto do Nordeste chegou a R$3.354/m³, em 29 de maio, de acordo com o indicador Argus em base dap Brasil. O valor supera em aproximadamente 36pc o preço do produto comercializado pela Petrobras em Ipojuca (PE). Etanol ganha fôlego A alta nos preços de gasolina veio acompanhada da queda nos preços de etanol desde abril, com o início das operações da primeira planta de etanol de milho da Bahia e o começo da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul. A usina de etanol de milho Inpasa em Luís Eduardo Magalhães (BA) teve autorização da ANP para começar a operar em 27 de março. É a sexta planta de etanol da Bahia e a primeira com produção a partir de milho. A inauguração ampliou a capacidade de produção do estado em 48pc para o hidratado e 100pc para o anidro, segundo dados da ANP. Além disso, a safra no Centro-Sul, iniciada em 1º de abril, deflagrou uma queda expressiva nos preços do etanol produzidos na região. O movimento contagiou os preços do Nordeste, uma vez que muitas distribuidoras originam produto do Centro-Sul durante a entressafra nordestina. Os fatores se traduziram em maiores volumes de etanol transacionado na Bahia. O volume reportado à Argus no indicador de etanol hidratado colocado em São Francisco do Conde (BA) nas oito semanas completas desde a primeira semana cheia de abril somou 26.250m³, praticamente o dobro dos 15.497m³ negociados entre 7 de abril-30 de maio de 2025. O reajuste de preços da Acelen na semana passada pode aumentar a paridade na Bahia, mas ainda mantém o etanol hidratado mais competitivo, segundo participantes de mercado. Um aumento do ICMS sobre etanol hidratado previsto para junho também adicionou cautela aos participantes das regiões, mas a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia confirmou à Argus que a elevação foi adiada para novembro. Por Maria Lígia Barros e Maria Albuquerque Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
Etanol anidro tem prêmios mais baixos em 2026-27
Etanol anidro tem prêmios mais baixos em 2026-27
Sao Paulo, 7 May (Argus) — Os prêmios dos contratos de etanol anidro no Centro-Sul para o período entre 1º junho de 2026-31 de maio de 2027 recuaram em relação à temporada 2025-26, em função da expectativa de produção recorde nesta safra de cana-de-açúcar. O anidro foi negociado em São Paulo a prêmios entre 10-11pc sobre o preço à vista do hidratado na maior parte do volume contratado até 2º de maio, segundo levantamento da Argus com as principais empresas do setor. Os maiores volumes em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás ficaram com prêmios entre 9-11pc. No ciclo 2025-26, o intervalo foi de 12-13pc no Centro-Sul. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) exige que as distribuidoras garantam o suprimento do anidro de maneira antecipada, por meio de duas modalidades: o regime de compra direta ou de contratação. No regime de contrato, distribuidoras asseguram para o ano seguinte volumes compatíveis com 90pc da quantidade de gasolina C comercializada no ano anterior. A meta de contratação do setor para 2026-27 é de 12,5 milhões de m³ de anidro, ante 10,6 milhões de m³ em 2025-26, de acordo com a ANP. Pelo menos 70pc dos extratos desses contratos devem ser apresentados ao órgão regulador até 2 de maio, anualmente. Os 20pc restantes podem ser entregues até 1º de julho. Os participantes podem fechar contratos com volumes acima do exigido. Nesta rodada, porém, muitos compradores decidiram estrategicamente contratar apenas o obrigatório, deixando mais espaço para atuar no spot. O motivo é a expectativa de preços à vista atrativos ao longo da safra 2026-27, quando esperam oferta ampla de etanol. A recuperação dos canaviais, um mix mais alcooleiro no primeiro semestre e a expansão da produção a partir do milho devem impulsionar a fabricação de etanol aos maiores níveis da série histórica. A entrada dos volumes da nova safra fez os preços do etanol anidro no Centro-Sul no spot caírem 18pc entre março-abril, para R$2.896/m³ equivalente Ribeirão Preto na última cotação do mês. Paralelamente, o preço da retirada do anidro baixou 20pc no mês, para R$ R$2.842/m³ em 30 de abril. A postura comedida do lado comprador ajudou a pesar nos prêmios, mesmo com o suporte da expectativa de avanço de mescla obrigatória na gasolina, dos atuais 30pc para 32pc (E32). A elevação da mistura deve ser analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O encontro ocorreria nesta quinta-feira, mas foi adiada, sem uma nova data divulgada pelo órgão até o fechamento desta edição. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a pauta como uma medida para aumentar a segurança energética do Brasil, enquanto o mundo enfrenta obstáculos nos mercados de petróleo e derivados. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima que o E32 injetará uma demanda adicional por etanol anidro de cerca de 1 milhão de m³/ano ante o E30. Em relação ao suprimento adicional necessário para atender ao E32, distribuidoras esperam adquiri-lo no mercado à vista ou por meio de cláusulas de flexibilidade previstas nos contratos. As partes negociaram a possibilidade de retirar cerca de 20pc a mais ou menos de volume de anidro sem precisar renegociar contratos, de olho no aumento de mescla. Por Maria Lígia Barros Anidro no Centro-Sul: retirada de contrato vs. spot R$/m³ Envie comentários e solicite mais informações em feedback@argusmedia.com Copyright © 2026. Argus Media group . Todos os direitos reservados.
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