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31/07/25
Tarifas de Trump têm impacto reduzido sobre claros
Sao Paulo, 31 July (Argus) — As tarifas adicionais de 40pc sobre a importação de
produtos brasileiros, publicadas em decreto assinado pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, não devem ter impacto direto sobre o mercado de diesel e
gasolina, mas operadores acompanham com atenção a escalada das tensões entre
Washington e Brasília. Produtos brasileiros já estavam sujeitos a uma alíquota
de importação de 10pc desde 5 de abril. A essa taxa agora deverão ser acrescidos
os 40pc indicados no decreto — o que levará a alíquota final a 50pc a partir de
6 de agosto, quando a nova norma entra em vigor. A medida preserva isenções
anteriores para commodities de energia e demais produtos, incluindo certos tipos
de silício, gusa, peças e demais componentes da aviação civil, alumínio de
qualidade metalúrgica, minério de estanho, polpa de madeira, polpa e suco de
laranja, metais preciosos e fertilizantes. O Brasil não exporta volumes
expressivos de diesel para os Estados Unidos — por isso, participantes do
mercado estimam impactos iniciais limitados do decreto no setor de combustíveis
claros. Do total de 465.730 m³ de diesel exportado pelo Brasil entre
janeiro-junho de 2025, apenas 5 m³ tiveram como destino os EUA. Em todo o ano de
2024, o país respondeu por 2.841 m³ dos 1,022 milhão de m³ do combustível que
saiu dos portos brasileiros, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Já no caso da gasolina, 442.082 m³ dos
523.466 m³ exportados pelo Brasil no primeiro semestre de 2025 rumaram aos EUA.
No ano passado todo, o país recebeu 1.803.640 m³, o equivalente a 89,8pc do
volume total do combustível vendido por refinadores brasileiros no exterior, mas
que representa 6pc do total de 30.013.949 m³ produzidos no mesmo período,
segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP). Atenções às possíveis respostas Apesar de os efeitos do decreto de Trump
serem limitados para os mercados de combustíveis claros, importadores e tradings
seguem monitorando de perto o avanço do conflito comercial entre Washington e
Brasília. A produção de diesel e gasolina dos Estados Unidos tem importante
papel no suprimento de combustíveis para o Brasil, que importa anualmente cerca
de 20pc do diesel que consome e pouco menos de 10pc no caso da gasolina.
Participantes do mercado temem possíveis retaliações do governo brasileiro às
novas tarifas impostas pelos EUA. A avaliação consensual, no entanto, é de que o
setor de energia dificilmente seria incluído no caso de tarifas recíprocas, já
que ele também ficou de fora das ações do governo Trump. Os EUA respondem por
cerca de 24pc dos 7,94 milhões de m³ de diesel que desembarcaram nos portos
brasileiros entre janeiro-junho de 2025. O país é o segundo principal fornecedor
de diesel para o Brasil — atrás apenas da Rússia, que exportou 4,87 milhões de
m³ a importadores e distribuidores brasileiros no mesmo período. Golfo Americano
recupera espaço A participação dos EUA nas importações brasileiras de diesel
cresceu no último mês, para 34,8pc, seguindo um efeito sazonal de menor
disponibilidade de produto russo não sancionado para o Brasil, em razão da
combinação de manutenções de refinarias locais e uma maior demanda da Turquia —
quadro que deve se repetir em julho e agosto. O ganho de participação recente do
diesel do Golfo Americano também ocorre em um contexto de preocupações de
grandes distribuidores com as ameaças de "sanções secundárias" de Trump contra a
Rússia e seus parceiros comerciais. Preocupados com possíveis retaliações,
muitos importadores brasileiros começam a mirar alternativas de suprimento para
reduzir exposição aos riscos envolvendo operações com produtores russos. Por
Marcos Mortari Envie comentários e solicite mais informações em
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