O transporte de adubos a partir do porto de Santos até Mato Grosso deve continuar dependente do modal rodoviário durante a safra 2018-19, mesmo após recentes expansões na capacidade do transporte ferroviário, revela um levantamento feito pela Argus.
Em abril, a Rumo inaugurou uma linha de transporte ferroviário de adubos ligando seu terminal no porto paulista localizado no Guarujá a Rondonópolis (MT), com capacidade de transporte de 7,5 milhões de t/ano de granéis e armazenamento de 64.000t na cidade mato-grossense.
O mercado de transporte rodoviário de adubos enfrenta baixa liquidez em Santos atualmente, em meio à instabilidade observada nos valores dos fretes rodoviários após a greve nacional de caminhoneiros no final de maio e às sucessivas publicações e revogações de tabelas de preços mínimos de frete pelo Governo Federal.
"Nosso faturamento despencou desde o início da greve e a situação não mudou após a publicação da nova tabela de preços mínimos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)", disse o gerente comercial de uma transportadora. "Nossos clientes têm postergado seus embarques e se recusam a pagar os valores mínimos impostos pelo governo", completou.
O indicador Argus de fretes Santos/Cubatão-Rondonópolis mais recente está estagnado em R$135-160/t devido à baixa liquidez observada no mercado desde o início das manifestações de caminhoneiros em maio. Porém, compradores encontraram no modal ferroviário uma saída temporária para a recente alta nos preços do frete rodoviário.
"Nós e nossos concorrentes estamos embarcando 100pc de nossas entregas até Rondonópolis pela via férrea, visto que é muito caro contratar o serviço rodoviário após a divulgação da tabela", disse um comprador. "A economia obtida com o transporte ferroviário chega a até 40pc dos preços atuais de mercado no trajeto, que estão em torno de R$220-240/t" completou.
Mas participantes entendem que o volume de fertilizantes que seguirá por trilhos na safra 2018-19 é muito pequeno frente à demanda pelo serviço até Rondonópolis, que deverá ser atendida majoritariamente por caminhões até o fim desta temporada.
"Dependeremos muito mais do transporte rodoviário à partir do segundo semestre, quando as entregas de adubos ao interior costumam se aquecer e a ferrovia não será capaz de atender à toda demanda do mercado", afirmou um comprador. "A capacidade de transporte da linha férrea ainda é muito limitada, e no máximo 300.000t deverão seguir por trem a Rondonópolis até o final de março de 2019, quando as entregas para o ciclo 2018-19 se encerram", emendou.
O porto de Santos é uma das principais vias de entrada de adubos importados no país, e recebeu 3,7 milhões de t em 2017 – 15pc das compras brasileiras –, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Serviços e Comércio Exterior (MDIC). Já o estado de Mato Grosso é o principal produtor brasileiro de soja e milho, e também lidera o consumo nacional de adubos. O estado demandou 1,7 milhão de t de fertilizantes entre janeiro-abril deste ano, 21,9pc do consumo nacional, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

