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30/07/26
El Niño ameaça moagem, produção de etanol segue forte
El Niño ameaça moagem, produção de etanol segue forte
Sao Paulo, 30 July (Argus) — O El Niño pode provocar um recuo no volume de
cana-de-açúcar processado em 2026-27 ao postergar as operações de moagem no
Centro-Sul, mas não a ponto de alterar expectativas de produção recorde de
etanol. O fenômeno climático se estabeleceu em 11 de junho e deve atingir o pico
entre 22 de setembro-21 de dezembro, segundo o Instituto de Meteorologia dos
Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). No Centro-Sul, o setor
sucroalcooleiro estará suscetível às altas temperaturas e chuvas irregulares. O
impacto tende a ser limitado nos números desta safra, visto que o pico do El
Niño ocorrerá nos últimos meses de colheita no Centro-Sul. Alguns produtores
aceleraram a moagem para evitar ter cana em pé durante a fase mais crítica, uma
estratégia para driblar os efeitos nos canaviais. Os maiores riscos decorrem da
possibilidade de as chuvas postergarem a moagem na reta final da safra e
aumentarem a quantidade de cana bisada – a cana-de-açúcar que, em vez de ser
moída na safra vigente, é mantida no campo para o ciclo seguinte. Isso pode
reduzir o volume moído nesta safra, entre 1º de abril de 2026-31 de março de
2027 — em 20 milhões de toneladas (t) no Centro-Sul, por falta de tempo hábil
para processar a cana-de-açúcar, avaliam empresas do setor. Atualmente, o
consenso do mercado estima 638,5 milhões de t. Mesmo com um cenário de perdas,
ainda seria maior que os 616,2 milhões de m³ processados em 2025-26, segundo a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O mix de açúcar também pode ser
afetado. Mais chuvas podem diminuir a concentração de sacarose na planta,
dificultando a cristalização e a fabricação do adoçante. Com isso, as usinas
podem encontrar dificuldade em maximizar a produção de açúcar. A mediana das
estimativas de participantes de mercado para o mix de produção no Centro-Sul
está em 47,1pc de açúcar e 52,9pc de etanol. Isso se compara com o mix de
50,38pc de açúcar e 49,62pc de etanol verificado em 2025-26, de acordo com a
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O setor continua vendo forte
fabricação do biocombustível nesta safra: 38,05 milhões de m³, considerando
tanto etanol anidro quanto hidratado, o que seria a máxima na série histórica de
18 safras da Conab. O El Niño deve durar até o fim do verão no Hemisfério Sul,
ou seja, até 31 de março de 2027, segundo o NOAA, deixando impactos também no
próximo ciclo. O eventual aumento no volume de cana bisada para 2027-28 se
somaria ao cenário de estoques fortalecidos e de crescimento nas operações de
etanol de milho, acrescentando pressão aos preços no início da próxima safra.
Participantes de mercado também acreditam que o El Niño pode potencializar o
rendimento dos canaviais em 2026-27, sobretudo caso se concretize o cenário de
chuvas acima da média. El Niño mais forte que a média A intensidade do fenômeno
supera as ocorrências em anos anteriores, acelerando ainda mais o aquecimento
das águas e influenciando maiores temperaturas — de até 4°C acima da média — no
cerrado brasileiro, incluindo os estados de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais,
explica o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos. Um El
Niño mais intenso já é apontado como um dos fatores por trás de eventos extremos
recentes, como o temporal com ventos de 160 km/h em Ribeirão Preto (SP) e o
tornado registrado em Salgado Filho (RS). As culturas de soja, milho e café
podem ser beneficiadas pelo fenômeno climático na região Centro-Sul, afirma o
especialista. Por Maria Lígia Barros e João Curi Envie comentários e solicite
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