A migração para um modelo livre e aberto de comercialização de biodiesel tem levado muitas distribuidoras a adaptarem o planejamento de aquisição do produto para dar um espaço maior à modalidade spot entre as varejistas, adotando estratégia semelhante à das tradings.
Era comum as transações entre congêneres servirem principalmente para ajustar os estoques do biocombustível no fim de cada bimestre, mas agora o objetivo também é obter resultados financeiros em um mercado que está ganhando capilaridade.
Um levantamento da Argus aponta que o volume de biodiesel negociado entre as quatro maiores redes e seus pares somou 15.000m3 em setembro, alta de 50pc ante agosto. O aumento é expressivo e reflete o maior interesse das redes nestas operações, mas representa cerca de 1,2pc do 1,293 milhão de m³ adquirido no certame para setembro e outubro, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
As distribuidoras estruturam suas mesas de trading nos últimos meses como uma forma de se prepararem para comprar o produto das usinas no mercado à vista. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu que com o fim dos leilões públicos, 80pc do volume ainda ficará sob contrato bimestral e os 20pc restantes serão na modalidade spot.
Até meados de abril de 2021, as transações entre congêneres eram usadas primeiramente para equalizar um possível descasamento entre oferta e demanda e atender às redes pequenas que não participam dos leilões públicos. No entanto, sucessivas mudanças no mandato obrigatório dificultaram o planejamento, ampliando a falta ou sobra do produto e aumentando a liquidez neste mercado complementar.
O movimento ganhou força a partir da licitação para maio e junho, quando o CNPE reduziu a mistura obrigatória de 13pc para 10pc e houve um descompasso na programação de algumas empresas em meio ao cenário de recuperação da demanda.
Este comércio entre as varejistas costuma ser mais líquido na semana seguinte ao leilão. A modalidade fica particularmente ativa quando o preço do biodiesel para o bimestre seguinte é inferior ao do período vigente, pois distribuidoras com excedente de produto procuram potenciais compradores para escoar estoques remanescentes nas suas bases antes da virada do mês.
A principal modalidade das vendas neste mercado é via transferência dos produtos entre os tanques das varejistas, especialmente nos polos de Paulínia (SP) e Araucária (SP), os terminais mais importantes do país.
A demanda por biodiesel pelas pequenas redes tem crescido principalmente em Araucária e no Nordeste. Na semana passada, as ofertas estavam escassas devido à perspectiva de aumento dos preços no leilão da ANP que terminou hoje.
Este cenário de baixa disponibilidade levou à alta dos preços principalmente no Paraná, conforme o indicador lançado pela Argus em 1 de outubro. Foram vendidos 945m³ por R$5.650/m³, aumento de R$5/m³, enquanto em Paulínia o valor caiu R$10/m³, para R$5.840/m³.
Por Alexandre Melo


