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07/05/26
Etanol anidro tem prêmios mais baixos em 2026-27
Sao Paulo, 7 May (Argus) — Os prêmios dos contratos de etanol anidro no
Centro-Sul para o período entre 1º junho de 2026-31 de maio de 2027 recuaram em
relação à temporada 2025-26, em função da expectativa de produção recorde nesta
safra de cana-de-açúcar. O anidro foi negociado em São Paulo a prêmios entre
10-11pc sobre o preço à vista do hidratado na maior parte do volume contratado
até 2º de maio, segundo levantamento da Argus com as principais empresas do
setor. Os maiores volumes em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás ficaram com
prêmios entre 9-11pc. No ciclo 2025-26, o intervalo foi de 12-13pc no
Centro-Sul. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
exige que as distribuidoras garantam o suprimento do anidro de maneira
antecipada, por meio de duas modalidades: o regime de compra direta ou de
contratação. No regime de contrato, distribuidoras asseguram para o ano seguinte
volumes compatíveis com 90pc da quantidade de gasolina C comercializada no ano
anterior. A meta de contratação do setor para 2026-27 é de 12,5 milhões de m³ de
anidro, ante 10,6 milhões de m³ em 2025-26, de acordo com a ANP. Pelo menos 70pc
dos extratos desses contratos devem ser apresentados ao órgão regulador até 2 de
maio, anualmente. Os 20pc restantes podem ser entregues até 1º de julho. Os
participantes podem fechar contratos com volumes acima do exigido. Nesta rodada,
porém, muitos compradores decidiram estrategicamente contratar apenas o
obrigatório, deixando mais espaço para atuar no spot. O motivo é a expectativa
de preços à vista atrativos ao longo da safra 2026-27, quando esperam oferta
ampla de etanol. A recuperação dos canaviais, um mix mais alcooleiro no primeiro
semestre e a expansão da produção a partir do milho devem impulsionar a
fabricação de etanol aos maiores níveis da série histórica. A entrada dos
volumes da nova safra fez os preços do etanol anidro no Centro-Sul no spot
caírem 18pc entre março-abril, para R$2.896/m³ equivalente Ribeirão Preto na
última cotação do mês. Paralelamente, o preço da retirada do anidro baixou 20pc
no mês, para R$ R$2.842/m³ em 30 de abril. A postura comedida do lado comprador
ajudou a pesar nos prêmios, mesmo com o suporte da expectativa de avanço de
mescla obrigatória na gasolina, dos atuais 30pc para 32pc (E32). A elevação da
mistura deve ser analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE). O encontro ocorreria nesta quinta-feira, mas foi adiada, sem
uma nova data divulgada pelo órgão até o fechamento desta edição. O ministro de
Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a pauta como uma medida para
aumentar a segurança energética do Brasil, enquanto o mundo enfrenta obstáculos
nos mercados de petróleo e derivados. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e
Bioenergia (Unica) estima que o E32 injetará uma demanda adicional por etanol
anidro de cerca de 1 milhão de m³/ano ante o E30. Em relação ao suprimento
adicional necessário para atender ao E32, distribuidoras esperam adquiri-lo no
mercado à vista ou por meio de cláusulas de flexibilidade previstas nos
contratos. As partes negociaram a possibilidade de retirar cerca de 20pc a mais
ou menos de volume de anidro sem precisar renegociar contratos, de olho no
aumento de mescla. Por Maria Lígia Barros Anidro no Centro-Sul: retirada de
contrato vs. spot R$/m³ Envie comentários e solicite mais informações em
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