A produção de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) no Brasil vai disparar em 2026, à medida que mais montadoras chinesas abrem plantas de montagem no país, e fabricantes de outras nacionalidades começam a responder com seus próprios modelos eletrificados, uma mudança que deve desacelerar o crescimento de importações de EVs.
O mercado brasileiro de EVs vem sendo sustentado por importações desde o primeiro boom de carros elétricos chineses no Brasil, em 2023, quando BYD e GWM importaram cerca de 30.000 unidades, de acordo com dados da associação brasileira de veículos elétricos (ABVE).
Espera-se que isso mude em 2026, com o escalonamento — ou início — de produção das linhas de montagem de pelo menos seis marcas chinesas, além do lançamento de diversos novos veículos eletrificados fabricados localmente por montadoras tradicionais.
Geely, MG Motor e Omoda/Jaecoo — uma marca do grupo Chery — têm planos de começar a montar EVs no Brasil em 2026.
BYD, GWM e Chevrolet, esta por meio de uma joint-venture com as chinesas SAIC e Wuling, iniciaram a montagem de carros elétricos no país já em 2025. A Chery fabrica carros tanto eletrificados, quanto à combustão no Brasil desde 2017.
As fabricantes chinesas vêm, nos últimos três anos, intensificando sua presença no mercado latino-americano — e seus veículos têm tido uma alta taxa de aceitação na região. Marcas da China foram responsáveis por cerca de 10pc dos veículos de passeio vendidos no Brasil em 2025, segundo dados da consultoria especializada Bright Consulting.
Diversas montadoras chinesas já veem o Brasil como um polo industrial capaz de montar veículos localmente e vendê-los tanto no mercado brasileiro quanto em outros países da América Latina.
A Bright projeta que as vendas de veículos elétricos no Brasil mais que dobrem em 2026, passando de 275 mil para 600 mil unidades, alcançando 22,9pc do total das vendas esperadas no país para este ano.
Os carros chineses devem representar pouco menos da metade das vendas de EVs no país em 2026, com 270.000 unidades, um aumento de 61pc em comparação com o ano anterior. Desse total, 170.000 automóveis devem ser importados da China. Em 2025, montadoras chinesas importaram cerca de 140.000 unidades prontas para serem vendidas, segundo a Bright.
Os outros 100.000 veículos elétricos que as montadoras chinesas pretendem vender no Brasil neste ano serão montados em território nacional, de acordo com a Bright. Esse movimento vai, efetivamente, limitar o crescimento das importações de EVs, dado que a oferta doméstica reduzirá a necessidade de trazer carros prontos da China.
BYD, GWM e Chevrolet montaram um total de 25.000 carros elétricos no Brasil em 2025, segundo estimativas da Argus com base em dados publicados pelas montadoras.
Marcas chinesas e montadoras tradicionais vão fabricar algo entre 250.000-300.000 EVs no Brasil em 2026, fazendo deste o primeiro ano em que o país terá uma produção relevante de carros elétricos.
A contraofensiva das montadoras tradicionais
Marcas tradicionais com produção de carros à combustão já estabelecida no Brasil devem intensificar o desenvolvimento e a produção de veículos elétricos em 2026 para disputar a preferência dos consumidores brasileiros com as montadoras chinesas, disse a Bright.
A receptividade dos consumidores brasileiros a marcas chinesas — e EVs no geral — aumentou depois da pandemia da Covid-19, época em que as montadoras tradicionais subiram os preços e fabricantes da China entraram no mercado com carros relativamente mais acessíveis equipados com mais tecnologia e designs mais modernos.
Carros elétricos estão se tornando cada vez mais populares entre os consumidores brasileiros e já conquistaram mercado mesmo fora das grandes cidades. Motoristas que percorrem longas distâncias diariamente podem economizar até R$ 2.500 por mês devido à diferença entre os custos da eletricidade e dos combustíveis, segundo a gestora de pontos de recarga Tupi.
Marcas como Stellantis, Volkswagen e Toyota têm planos de fabricar novos modelos híbridos em 2026.
A maioria desses lançamentos será de modelos híbridos leves (MHEV), um veículo à combustão equipado com uma pequena bateria não plug-in de 12V ou 48V que auxilia o motor — geralmente flex — e melhora sua eficiência. MHEVs são legalmente considerados EVs no Brasil, sendo elegíveis a isenções de IPVA em alguns estados, além de outros benefícios oferecidos a carros elétricos plenos.
Híbridos leves são, geralmente, mais baratos do que híbridos plenos (HEV) e costumam ser vendidos por marcas mais conhecidas pelo consumidor brasileiro, fazendo deles uma opção mais atraente para um comprador que procura um EV mais barato ou uma marca mais estabelecida.
A Bright espera que 200.000 MHEVs sejam vendidos no Brasil em 2026, sendo a maioria fabricada localmente.
A Caoa Chery, outra marca do grupo Chery, é a única chinesa que produz MHEVs no Brasil. Suas compatriotas vendem apenas EVs plenos, incluindo HEVs e carros 100pc elétricos. A Toyota é a única montadora não chinesa que produz HEVs no país.
A Bright projeta que um total de 2,62 milhões de veículos sejam vendidos no Brasil em 2026, um aumento de 2,3pc em relação às 2,56 milhões de unidades comercializadas em 2025.

