A diferença entre os fretes de fertilizantes e os preços mínimos estipulados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vem aumentando progressivamente desde a segunda metade de setembro, revela análise feita pela Argus. Os valores de mercado estão cedendo em meio à queda sazonal na demanda após o pico das entregas de adubos voltados às lavouras de soja entre agosto-setembro, enquanto os pisos legais permaneceram estáveis desde sua última atualização em 4 de setembro.
"Nossa programação de embarque está fraca e há poucas cargas, o que tem barateado os fretes a partir dos portos", disse o gerente comercial de uma transportadora com atuação em Paranaguá e São Francisco do Sul. "O mercado estava aquecido no começo de setembro, mas perdeu força, o que é normal para o período", completou.
Os preços levantados pela Argus para a rota Paranaguá-Rondonópolis estavam R$31/t abaixo do piso da ANTT na segunda quinzena de setembro, fazendo com que a redução no movimento de cargas alargasse este spread em 81pc para R$56/t na primeira semana de outubro. Já para o trecho Paranaguá-Sorriso, a diferença era de R$88/t em setembro, evoluindo 43pc para R$116/t no início deste mês.
Na semana passada, os fretes de fertilizantes partindo de Paranaguá com destino a Rondonópolis caíram R$15/t para R$200-240/t, e os valores até Sorriso recuaram R$35/t para R$235-290/t.
O desempenho dos spreads nas últimas semanas demonstrou que os trajetos mais longos apresentam diferenciais maiores. "É muito difícil atingir os valores mínimos da ANTT em rotas longas, sobretudo até o Centro-Oeste, mas é mais fácil alcançar os pisos em trechos curtos, como os intraestaduais", disse o gerente de uma transportadora em Paranaguá.
A principal razão para que a diferença entre os fretes e os pisos da ANTT variem em função da distância é a participação do diesel nos custos de transporte das cargas. Em trechos mais longos, outros gastos como pedágios e manutenção de veículos diluem a parcela dispendida com o combustível. Além disso, a demanda mais aquecida para os trechos de longa distância torna motoristas mais abertos a abrirem mão de suas margens nestas viagens, priorizando um volume de trabalho constante.
Os principais corredores que ligam os portos de fertilizantes ao interior têm cerca de 1.500km de distância, como o Paranaguá-Rondonópolis, mas alguns trechos até o Centro-Oeste, como Paranaguá-Sorriso, alcançam mais de 2.200km, implicando na maioria dos fretes ser negociada abaixo dos preços mínimos.
Em trajetos inferiores a 700km, os preços para cada quilômetro rodado são maiores que os pisos da ANTT por conta da presença do diesel como principal componente de precificação.
A política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas se tornou lei federal em 8 de agosto. Desde então, o índice Argus de fretes de fertilizantes – que pondera o serviço de acordo com o consumo estadual de nutrientes – acumulou alta de 41pc, e está 26pc acima na comparação anual.



