O governo do presidente Jair Bolsonaro avalia a indexação dos fretes aos preços do diesel, além de trabalhar na implementação do cartão caminhoneiro – ferramenta que permite ao motorista pagar o valor do combustível no dia e abastecer ao longo da viagem – em uma tentativa de mitigar os impactos das oscilações dos preços no mercado internacional, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcisio Gomes de Freitas, durante o anúncio de medidas para o setor.
"Outros países já resolveram questões similares com indexação nos preços do diesel. Nos Estados Unidos é assim. O motorista recebe um valor no dia e, se ao realizar a entrega o [preço do] diesel tiver subido, ele recebe a diferença. O valor do diesel, no entanto, é uma outra área de atuação. O que nos cabe como governo é encontrar um conjunto de medidas que entram na pauta [dos caminhoneiros]", completou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
De acordo com os ministros, o governo está trabalhando em uma série de medidas que atendem às demandas dos caminhoneiros, como melhoria das rodovias do país, cumprimento da tabela de fretes e maior previsibilidade nos preços do diesel.
Segundo Tarcisio Gomes, serão investidos R$2 bilhões na recuperação, manutenção e conclusão de obras nas rodovias do país. O período do investimento não foi informado. O ministro afirmou que, entre os principais esforços da pasta, está a construção de uma referência de piso do frete, que será colocada em consulta pública e debatida entre transportadoras e embarcadoras. "Modelar um preço não é tarefa simples, mas, a partir do momento que virar uma referência com embasamento técnico, o cumprimento deixa de ser uma dificuldade", disse Gomes, acrescentando que a fiscalização para o cumprimento da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) será intensificada.
Entre as medidas anunciadas hoje para conter uma possível greve dos caminhoneiros está a liberação de uma linha de crédito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$500 milhões, para que os profissionais possam realizar compras de pneus e manutenção dos veículos. Cada motorista pode financiar um valor de até R$30 mil.
Gomes e Lorenzoni não veem a posição do governo como refém dos caminhoneiros e reforçaram que há um bom diálogo com a classe.

