O foco crescente no mercado de carbono tem levado usinas do setor sucroalcooleiro a reduzir seus níveis de emissão de CO₂, potencializando a geração de créditos de descarbonização (Cbios) num momento em que os preços desses papéis disparam na B3.
As 35 usinas associadas à Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do país, melhoraram suas emissões de carbono em até 30pc desde quando os Cbios começaram a ser negociados na B3, em 2020.
"Os Cbios mudaram o jogo para o etanol e outros biocombustíveis", disse Luis Roberto Pogetti, presidente da Copersucar, durante um evento recente sobre o mercado mundial de carbono.
Segundo Pogetti, 93pc das 300 usinas de etanol ativas no Brasil aderiram voluntariamente ao programa da Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio), que ranqueia e publica informações sobre a eficiência e sustentabilidade da produção de biocombustíveis dessas companhias. "Isso cria competição. As usinas querem classificações melhores do que suas rivais."
Cada Cbio representa uma tonelada de CO₂ removida da atmosfera por meio da produção e do uso de biocombustíveis. Quanto mais eficiente e sustentável for o processo de produção do biocombustível, mais créditos uma usina pode emitir por metro cúbico.
A líder sucroalcooleira Raízen, que também participou do evento, está investindo fortemente para reduzir a intensidade de carbono de seus negócios, incluindo investimentos em etanol celulósico, ou de segunda geração (2G), e biometano.
"O biometano pode substituir o diesel, ajudando a reduzir a dependência do Brasil das importações", segundo Ricardo Mussa, CEO da Raízen. Programas governamentais recentes que criam incentivos para o biometano ajudarão a aumentar o investimento, disse ele.
As usinas também estão reduzindo sua pegada de carbono por meio do uso de biofertilizantes e técnicas de plantio mais eficientes, além de aumentar a produção por hectare com o uso de novas variedades de cana.
"A produção de biocombustíveis requer grandes investimentos e isso precisa de um ambiente de negócios estável", disse o presidente-executivo da BP Bunge Bioenergia, Mario Lindenhayn. "Os Cbios foram um desenvolvimento muito bom nesse aspecto: eles sinalizam aos investidores que o governo apoia e ampara esse mercado."
Ao todo, as distribuidoras terão que comprar 36,7 milhões de Cbios neste ano, conforme a meta do Renovabio. Desse total, 35,9 milhões se referem à meta de 2022 e outros 745 mil são papéis que as distribuidoras deixaram de cumprir na meta do ano passado e agora terão que comprar para cobrir a diferença.
Os Cbios atingiram o preço médio de R$104,50 na primeira quinzena de maio, um recorde desde o início das negociações.

