O presidente Jair Bolsonaro culpou a mistura de etanol anidro pelos altos preços da gasolina, sugerindo que ele poderia pressionar para reduzir a mistura, em mais uma potencial ofensiva sobre a indústria de biocombustíveis.
Em sua transmissão semanal nas redes sociais, Bolsonaro disse que "o preço da gasolina pode diminuir um pouco se diminuir a concentração de etanol na gasolina".
Segundo a legislação atual, o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) tem autoridade para estabelecer a mistura de anidro em 18-27pc.
Bolsonaro disse que a gasolina custa "em média R$2,00 na refinaria", acrescentando que os "preços aumentam porque o etanol é adicionado".
A discussão em torno de uma possível redução na mistura de etanol, atualmente em 27pc para a gasolina E27, surge após a indústria de biodiesel enfrentar uma série de reduções na mistura obrigatória em resposta a preocupações governamentais quanto ao aumento dos preços dos combustíveis.
O governo Bolsonaro baixou a mistura de biodiesel, usada em caminhões e máquinas agrícolas, em várias ocasiões neste ano. No início deste mês, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reduziu de 12pc para 10pc o mandato de mistura para o leilão de biodiesel de outubro, que abastecerá o mercado para os meses de novembro e dezembro.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu quase 10pc no período de 12 meses encerrado em agosto, o nível mais alto para o mês em mais de duas décadas, em grande parte devido ao aumento dos preços da energia.
As usinas da região Centro-Sul têm maximizado a produção de anidro, que saltou mais de 42pc na segunda quinzena de agosto para 941.000m³, em comparação a 661.000m³ no mesmo período de 2020. O preço do anidro no Centro-Sul subiu 84pc no mesmo período, para uma média mensal de R$3.952/m³ em agosto de 2021, segundo dados da Argus.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa mais de 40 mil postos de abastecimento, pediu ao governo a redução da mistura de anidro no início deste ano, argumentando que a safra menor de cana reduziria a oferta do biocombustível.

