• 25 de janeiro de 2026
  • Market: Agriculture
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador de farelo de soja. A Argus está lançando um indicador de diferenciais portuários para o farelo em Paranaguá, auxiliando a tomada de decisão por esmagadoras e outros participantes dos mercados de grãos e proteínas dentro e fora do país. Saiba mais acompanhando essa conversa entre Renata Cardarelli, responsável pela publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes, e Nathalia Giannetti, colaboradora do mesmo relatório e da publicação Argus AgriMarkets.

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Renata Cardarelli: Olá, sejam bem-vindos ao Falando de Mercado. Eu sou Renata Cardarelli, editora da publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes, e tenho o prazer de receber Nathalia Giannetti, especialista em agricultura e uma das responsáveis pelos relatórios Argus AgriMarkets e Argus Brasil Grãos e Fertilizantes. Muito bem-vinda, Nathalia.

Hoje, nós falaremos sobre os fundamentos do mercado brasileiro de farelo de soja e o lançamento de um indicador de preço Argus para esse mercado. Então, eu te dou as boas-vindas e aproveito para perguntar qual é esse indicador, para você dar mais detalhes para nossa audiência, por favor.

Nathalia Giannetti: Olá, Renata. Olá, pessoal. Então, para começar, esse novo indicador de preço da Argus para o mercado de farelo de soja é o indicador de diferenciais portuários do paper market de Paranaguá, na base FOB. Por ser um mercado de papel, como o nome já diz, ele não tem uma rodagem física de volumes. Então, são negociados contratos futuros que têm como referência a Bolsa de Chicago. As ofertas de venda e de compra são reportadas como um prêmio ou como um desconto em relação ao contrato da Bolsa de Chicago, que é usado como referência.

E, como também o próprio nome já diz, o paper market de Paranaguá é negociado tomando como referência o Porto de Paranaguá, que é um dos maiores portos brasileiros e um dos principais portos para exportação de farelo de soja. As negociações também acontecem na base FOB, o que significa que todos os custos até o embarque são cobertos pelo vendedor. O preço desse contrato futuro, que é negociado no paper market, inclui os custos logísticos após o embarque. Esse mercado também é conhecido como o mercado de diferenciais portuários, como eu já disse, ou basis, que é outro nome utilizado para falar desse mercado, porque ele se trata de um diferencial com base porto em relação à Bolsa de Chicago. Mas o indicador Argus de farelo de soja também será publicado em seu valor de preço final, além dos diferenciais.

RC: Perfeito, Natália, muito interessante. Esse indicador tem, claro, uma importância muito grande, por isso também é um indicador diário que a Argus publica. Eu gostaria que você comentasse, então, qual é a relevância desse indicador?

NG: Para a gente falar da relevância do indicador de farelo de soja, a gente tem que voltar um pouquinho na cadeia produtiva. O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo. A produção brasileira de soja totalizou um recorde de 171,5 milhões de toneladas (t) na safra 2024-25, que se encerrou agora, no ano passado. Desse total, quase 107 milhões de toneladas foram exportadas. Ambas as estimativas que eu citei são da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, que é a nossa referência oficial do governo para os dados de safra. Apesar da maior parte dessa produção ser destinada ao mercado internacional, como eu já citei, uma parcela significativa permanece no país para atender a demanda do mercado doméstico. Na última temporada, a Conab estima que mais de 60 milhões de toneladas de soja foram consumidos internamente. E uma grande parcela dessa demanda doméstica vem do setor de esmagamento de soja, que consumiu 58 milhões de toneladas na última safra, de acordo com dados do USDA. E é através do esmagamento da soja que se obtém óleo de soja, que é consumido em grande escala pela indústria de biocombustíveis, e o farelo de soja.

O Brasil é o terceiro maior produtor de farelo de soja, atrás de China e dos Estados Unidos. E quanto à exportação, o Brasil é o segundo maior, atrás apenas da Argentina. Cerca de metade do total do farelo produzido pelo Brasil a cada ano vai para o mercado de exportação. É nesse contexto que a publicação de um indicador de farelo de soja para o mercado de exportação é tão relevante.

RC: E quanto de farelo de soja o Brasil exportou em 2025, Nathalia? E quais são os principais compradores?

NG: A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais estima que o Brasil exportou um recorde de 23,1 milhões de toneladas no ano passado. Esse volume foi maior, tanto por conta de uma demanda global mais forte, quanto pela maior oferta de farelo disponível. O Brasil produziu um recorde de 45 milhões de toneladas de farelo de soja na temporada passada. Isso porque foi um recorde de produção de soja, e a demanda por esmagamento de soja por causa do setor de biocombustíveis também foi muito forte. Os países asiáticos e europeus são os principais compradores de farelo brasileiro. Entre esses maiores compradores estão Tailândia, Indonésia, França, Holanda e Espanha. Esses países já são tradicionalmente grandes importadores de farelo de soja num contexto maior.

RC: E qual é o uso do farelo de soja?

NG: O farelo de soja é rico em nutrientes, aminoácidos e principalmente em proteínas, um teor que varia geralmente entre 44-48pc. Isso faz com que o farelo de soja seja um produto bastante atrativo para a produção de ração animal.

RC: Interessante, Nathalia. Você colocou que é importante para a indústria de ração animal. No Brasil, como caminha a indústria brasileira?

NG: No Brasil, a maior parte do volume de farelo que fica no país vai para a indústria de ração animal, que alimenta aves, suínos e bovinos. O farelo responde por 20pc da produção brasileira de ração animal, atrás só do milho em participação.

RC: E qual é a tendência para a temporada 2025-2026?

NG: Primeiras estimativas para a temporada 2025-2026 já apontam que a produção de farelo de soja deve crescer. Isso acontece por causa das previsões de outro recorde de produção de soja, e também pela maior demanda por esmagamento porque a demanda por biodiesel também deve crescer. A demanda por farelo de soja também está prevista para crescer, tanto internacionalmente como no mercado doméstico, mas não na mesma velocidade que a oferta. Esse já é um problema de longa data para o setor. Esse excedente de oferta mantém os preços de farelo pressionados e prejudica as margens de esmagamento. As margens de esmagamento são a diferença entre a receita dos produtos finais, como o óleo e farelo de soja, e o custo da matéria-prima, que nesse caso é a soja. O resultado desse cálculo é um indicador de lucro potencial para as esmagadoras e auxilia na tomada de decisões futuras. Então, com os preços de farelo pressionados, é o óleo que costuma pagar a conta da operação, como podemos dizer. Quando eles estão pressionados, as margens de esmagamento costumam ser menores e fica mais difícil pagar a conta.

RC: Excelente, Nathalia. Muito interessante. Com certeza, nós continuaremos acompanhando esse mercado do farelo de soja e o novo indicador da Argus certamente vai trazer mais transparência ao mercado. E realmente tem sua relevância, considerando que o Brasil é o terceiro maior produtor de farelo de soja e o segundo maior exportador. Muito obrigada pela participação, Nathalia. Parabéns pelo lançamento do indicador, e aguardamos você numa próxima oportunidade.

Este e outros episódios do nosso podcast estão disponíveis no site da Argus. Voltaremos em breve com outra edição do Falando de Mercado. Até logo.