02/01/26
Fretes disparam com safra recorde de soja no Brasil
Fretes disparam com safra recorde de soja no Brasil
Sao Paulo, 2 January (Argus) — Os fretes rodoviários de grãos e fertilizantes
podem aumentar em 2026, visto que uma produção recorde de soja na safra 2025-26
pode impulsionar a demanda por serviços de transporte no primeiro trimestre, com
muitas áreas sendo colhidas simultaneamente. Os preços do frete de grãos no
Brasil permaneceram em níveis elevados durante 2025, com a produção recorde de
soja e milho ao longo do ciclo 2024-25 contribuindo para tarifas acima da média
em comparação com 2024. No trecho Sorriso-Miritituba, as tarifas ficaram em
média cerca de 12pc acima dos níveis de 2024, enquanto na rota
Rondonópolis-Santos o aumento foi de cerca de 6pc. Os fretes também devem subir
com o transporte de fertilizantes para a segunda safra de milho 2025-26 em maio.
No mercado de exportação, especialmente para a soja, as tensões comerciais entre
a China e os Estados Unidos levaram o país asiático a recorrer às oleaginosas
brasileiras para suprir a demanda. Isso ampliou a janela de exportação do Brasil
e resultou em uma demanda constante por serviços de transporte rodoviário. Para
2026, com o Brasil provavelmente registrando produção recorde de soja no ciclo
2025-2026, espera-se uma maior demanda por serviços de transporte nos corredores
de exportação, o que também pode resultar em fretes mais caros. A Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil produzirá 177,6 milhões de
toneladas (t) de soja no ciclo 2025-26, aumento de quase 3,6pc em relação à
safra anterior e o maior volumes já registrados, afirma a segunda projeção
oficial para o ciclo. Mato Grosso, maior produtor nacional, deve colher 47,2
milhões de t de soja no ciclo 2025-26, de acordo com o Instituto Mato-grossense
de Economia Agropecuária (Imea). Isso representaria uma queda de 7,3pc em
relação à produção de 2024-25, mas ainda assim seria a segunda maior da história
do estado. De modo geral, o ritmo de plantio para o ciclo 2025-26 transcorreu
sem grandes problemas. O plantio registrou um aumento significativo ao longo de
outubro. Nas primeiras quatro semanas de plantio, 21,2pc dos quase 13 milhões de
hectares (ha) estimados para o ciclo foram semeados até 10 de outubro. No
entanto, o plantio avançou 54,9 pontos percentuais ao longo do mês, totalizando
76,1pc até 31 de outubro. Mais da metade da área de soja de Mato Grosso foi
plantada durante o mesmo período. Isso gera preocupação entre participantes de
mercado quanto à alta concorrência pelo transporte nos corredores de exportação
e à disponibilidade de veículos, resultando em um gargalo logístico, já que a
colheita dessas áreas também precisa ocorrer simultaneamente. As questões
climáticas continuam sendo uma preocupação. O acúmulo de chuvas em Mato Grosso
durante novembro reduziu o estresse hídrico e favoreceu o desenvolvimento das
lavouras. No entanto, as chuvas permaneceram irregulares em outras regiões,
situação que pode prejudicar a produtividade no estado. Isso também pode afetar
o período de plantio do milho e sua colheita no segundo semestre de 2026. Embora
o Brasil espere uma produção significativa de milho, o mercado interno tem
absorvido a maior parte do volume do grão, superando as exportações. Isso deve
resultar em menores níveis de frete de grãos durante o período, com boa parte da
produção destinada à demanda da indústria brasileira. A produção de etanol de
milho no Brasil deverá totalizar 8,7 bilhões de litros (l) no ciclo 2025-26,
aumento de 11pc em comparação com os 7,8 bilhões de l produzidos no ciclo
anterior. A Conab estima que 1t de milho pode produzir cerca de 400l de etanol,
o que significa que aproximadamente 21,8 milhões de t de milho serão consumidas
pela indústria de etanol, ante 18 milhões de t no ano anterior. Fretes de
fertilizantes devem subir O transporte de fertilizantes também pode enfrentar
gargalos logísticos no deslocamento de insumos dos portos para o interior do
país, devido ao ritmo lento de compras de fertilizantes, especialmente
nitrogenados, para a segunda safra de milho de 2025-26. A tabela de frete mínimo
da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também adiciona desafios ao
mercado de logística. Desde outubro, o cumprimento da tarifa mínima de frete é
monitorado automaticamente, com base nas informações inseridas em um manifesto
fiscal eletrônico obrigatório (MDF-e) emitido pela parte que contrata o
motorista do caminhão, como as transportadoras. Esse manifesto reúne informações
de diversas notas fiscais relacionadas ao transporte da carga, facilitando a
fiscalização tributária e a gestão logística. O sistema cruza os dados
declarados no MDF-e com a tabela oficial da tarifa mínima de frete. Se o valor
declarado estiver abaixo do limite legal, o sistema identificará a
irregularidade sem a necessidade de um relatório ou inspeção adicional. O novo
sistema automático de fiscalização levou a aumentos de até 70pc no frete
rodoviário de fertilizantes em algumas das 31 rotas monitoradas semanalmente
pela Argus. Posteriormente, as tarifas diminuíram, com algumas transportadoras
ignorando a tabela e reduzindo suas margens de lucro na tentativa de oferecer
preços competitivos. Além disso, a demanda por veículos com maior número de
eixos disparou. De acordo com as novas regulamentações, caminhões de sete eixos
são considerados menos eficientes e econômicos do que caminhões de nove eixos,
cuja oferta é mais limitada. As entregas de fertilizantes nitrogenados,
especialmente ureia e sulfato de amônio (SA), provavelmente aumentarão a
concorrência por veículos no primeiro trimestre de 2026, principalmente em
janeiro, quando a oferta de caminhões é reduzida devido aos motoristas que
retornam para suas casas para as festas de fim de ano. Nessas circunstâncias, é
esperado um aumento nas taxas de frete de fertilizantes e nos custos de
logística rodoviária. Os importadores brasileiros têm trocado ureia por SA, que
ofereceu, durante a maior parte de 2025, um preço mais atrativo por ponto
nitrogênio. No entanto, o volume de SA necessário para a mesma quantidade de
nitrogênio é o dobro do necessário para a ureia, visto que a ureia contém 46pc
do nutriente e o SA, 21pc, o que aumenta os custos logísticos e operacionais. A
disponibilidade de caminhões tem sido uma preocupação, dificultando o transporte
rodoviário. O novo sistema eletrônico de fiscalização da tabela de fretes
mínimos da ANTT, em vigor desde outubro, continua sendo um importante fator no
mercado e resultou em um aumento significativo nos custos da logística
rodoviária. No entanto, essa questão é envolta em incerteza jurídica, visto que
uma decisão judicial estadual que suspendeu as multas em algumas regiões não
conteve o crescente número de transportadoras que ignoram a tabela de tarifas
mínimas de frete. Mesmo assim, a maioria das transportadoras continua a cumprir
a tabela para evitar penalidades. As empresas de fertilizantes permanecem
relutantes em absorver os aumentos de tarifas impostos pela tabela. Nesse
contexto, a situação só seria resolvida com uma decisão do Supremo Tribunal
Federal sobre a constitucionalidade da medida. Mas participantes de mercado
acreditam ser improvável que o problema seja resolvido em 2026, já que é
impopular e afeta um setor importante para o país em um ano de eleições
federais. Por João Petrini Envie comentários e solicite mais informações em
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