Após adotar tarifas de importação retaliatórias sobre produtos dos Estados Unidos, a China poderá comprar mais soja a partir de grandes exportadores globais como Brasil, Argentina e Paraguai, mas a produção destes países não deve ser capaz de substituir integralmente os embarques norte-americanos, disse o agente de navios Banchero Costa.
Brasil e Argentina consideram até mesmo importar soja norte-americana para uso no mercado doméstico ou re-exportação para atender à demanda chinesa, afirmou o agente.
Esta mudança no comércio deverá elevar a movimentação de granéis nas rotas entre a costa do Golfo Americano e a costa leste da América do Sul e nos trechos a partir desta região até a China, diante da redução do tráfego de mercadorias entre EUA-China. A mudança no fluxo traz "desafios e oportunidades, dependendo de como operadores de navios posicionarem suas embarcações", disse Costa.
As rotas no Mar Mediterrâneo também podem ser afetadas, uma vez que vendedores na Rússia, Ucrânia e Cazaquistão venderem mais trigo, milho e soja a mercados chineses e europeus.
Enquanto as tarifas de importação estiverem vigentes, outros países devem se beneficiar da queda nos preços da soja norte-americana e elevar seus estoques, disse Banchero Costa. As compras de soja dos EUA mais do que dobraram no Egito e Paquistão neste ano-safra que termina em agosto, disse o agente, parcialmente refletindo a queda nos preços da soja norte-americana devido à intensificação dos conflitos comerciais com a China.
A China é o principal importador global de soja, e os EUA atendem cerca de 39pc da demanda chinesa, segundo o Conselho Norte-Americano de Exportadores de Soja.

