02/01/26
Adubo de alta concentração pode ganhar espaço no Brasil
Adubo de alta concentração pode ganhar espaço no Brasil
Sao Paulo, 2 January (Argus) — O interesse de compra por fertilizantes de alta
concentração pode aumentar entre importadores brasileiros em 2026, caso a
diferença de preço em relação aos produtos com baixo teor nutricional continue a
diminuir. Os preços do enxofre serão um dos fatores decisivos nessa dinâmica em
2026, já que os principais fertilizantes de baixa concentração comprados por
importadores brasileiros em 2025, como o SSP e o sulfato de amônio (SA),
utilizam enxofre como matéria-prima. O aumento dos preços do enxofre no último
trimestre de 2025 está tornando os fertilizantes de baixa concentração menos
competitivos. Os preços do enxofre subiram 55pc no trimestre, atingindo $545/t
cfr Brasil em 18 de dezembro, o que reflete a disponibilidade limitada no
mercado global e a alta concorrência entre o setor de fertilizantes e outras
indústrias que também dependem do enxofre como matéria-prima e pagam um prêmio
em comparação com o mercado de adubos, como o de baterias de lítio. Em
comparação, o preço médio do enxofre publicado pela Argus um ano antes era de
$178/t cfr — aumento de mais de três vezes. A incerteza quanto à disponibilidade
global de fertilizantes de baixa concentração pode ser outro fator que leve
importadores brasileiros a recorrerem a fertilizantes de alta concentração. O
Brasil é altamente dependente do fornecimento chinês de NPs. Importadores
brasileiros relataram um aumento na disponibilidade de ofertas de NPs para o
Brasil em 2025, como a NP 08-40, cujas entregas nos portos brasileiros em 2025
atingiram 1,25 milhão de toneladas (t), mais de três vezes superior às 367.830t
entregues em 2024, segundo o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos
Agrícolas do estado de São Paulo (Siacesp). Caso as remessas chinesas de
fosfatados [permaneçam restritas até agosto de 2026](
http://direct.argusmedia.com/newsandanalysis/article/2764633), conforme
participantes de mercado relataram à Argus em 11 de dezembro, importadores
brasileiros podem ter que recorrer ao MAP 11-52 da Rússia e do Marrocos — que
apresentou menor disponibilidade e preços mais altos em 2025. A produção chinesa
de caprolactama deve ser reduzida para cerca de 76pc da capacidade em 2026.
Produtores chineses anunciaram, em 24 de novembro, seus planos de reduzir a
produção de 87pc para cerca de 80pc, visando sustentar os preços de SA.
Fertilizantes de alta concentração, incluindo ureia e MAP 11-52, tiveram preços
menos competitivos em 2025 devido à menor disponibilidade global e à maior
demanda de mercados orientais. Essa tendência começou a mudar em novembro,
quando os preços do MAP começaram a cair nos portos brasileiros e os preços do
SSP intensificaram sua alta devido aos preços do enxofre. O preço por ponto de
nutriente no MAP ficou, em média, em $13,27/t em 2025, enquanto o SSP com 20pc
de P2O5 ficou, em média, em $12,25/t no ano. O preço por ponto de nutriente para
o MAP 11-52 e o SSP atingiu $12,21/t e $12,75/t, respectivamente, em 18 de
dezembro. O mesmo aconteceu com os fertilizantes nitrogenados. Em 2025, o preço
médio por ponto de nitrogênio foi de $9,11/t para a ureia e $8,67/t para o SA.
Mas, com a Índia tendo recentemente garantido volumes acima das expectativas do
mercado no leilão de compra de 20 de novembro, os preços do nitrogenado estão
começando a se mostrar mais atrativos em comparação com aqueles de menor
concentração. O preço médio de ureia granulada publicado pela Argus na semana de
11 de dezembro foi de $398/t cfr Brasil. Isso colocaria o preço por ponto de
nitrogênio em $8,65 — já abaixo dos $9,05 por ponto de nitrogênio no SA
compactado. A tendência persistiu mesmo depois que a Índia anunciou outro leilão
de compra em 16 de dezembro, buscando 1,5 milhão de t de ureia. Preocupações com
as importações de adubos de baixa concentração Importadores também estão
preocupados com os problemas logísticos decorrentes do aumento no volume de
produtos de baixa concentração que chegaram aos portos brasileiros ao longo de
2025. Para aplicar a mesma quantidade de nutrientes às lavouras, seria
necessário mais espaço de armazenamento portuário e a demanda por transporte
rodoviário aumentaria — repetindo o cenário de 2025 e elevando os custos de
produção para agricultores. A ureia contém 46pc de nitrogênio, enquanto o SA
carrega 21pc do nutriente, o que torna necessário dobrar a capacidade de
transporte. Outro ponto a ser observado é o sistema de fiscalização eletrônica
da tabela de fretes mínimos adotado pela Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT), que elevou os níveis de preço do frete de fertilizantes. Caso
a tendência de compra de adubos com baixa concentração se mantenha em 2026, a
demanda por transporte rodoviário deverá aumentar, estabilizando ainda mais os
preços dos fretes em níveis mais elevados. Menor disponibilidade de nutrientes O
aumento nas compras de fertilizantes de baixa concentração resultou em mais
volumes de fertilizantes disponíveis no mercado interno. Os volumes de janeiro a
novembro totalizaram 54,3 milhões de t, aumento de 4,1pc em comparação com o
mesmo período em 2024, segundo o Siacesp. Esses números refletem todas as cargas
entregues aos portos brasileiros, a produção nacional e os volumes de estoque
disponíveis. Em termos de nutrientes — nitrogênio, fósforo e potássio — houve,
no entanto, uma diminuição de 0,3pc em comparação com o mesmo período em 2024.
Não há registros de cortes na produtividade das lavouras devido ao uso de
fertilizantes de baixa concentração; porém, agrônomos ressaltam que o uso desses
produtos sem a devida correção química do solo para compensar a acidificação
causada pelo enxofre pode prejudicar a qualidade do substrato. Por Bruno Castro
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