A produção de etanol de milho na Bahia e a guerra entre Estados Unidos e Irã tornaram o etanol hidratado mais competitivo do que a gasolina no estado, fazendo distribuidoras reavaliarem operações.
A paridade de preços no varejo entre o etanol hidratado e a gasolina na Bahia caiu abaixo dos 70pc na segunda semana de maio, atingindo mínimas desde novembro de 2024, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O percentual alcançou 68pc na semana passada, dado mais recente do órgão regulador.
Alguns varejistas da região relataram à Argus que o volume de vendas diárias de etanol hidratado chegou a dobrar desde que a paridade passou a favorecer o consumo do biocombustível.
A mudança chama atenção, pois historicamente o estado possui uma predominância no consumo de gasolina.
O recuo na paridade reflete, em maior parte, a valorização dos preços da gasolina após o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O movimento foi mais amplificado na Bahia em relação a outros estados, em função dos preços de produtores privados na região – mais expostos às variações do mercado internacional.
Os preços de revenda da gasolina comum – combustível misturado com etanol anidro – aumentou quase 12pc na Bahia entre a semana iniciada em 24 de maio e a semana anterior ao início do conflito, de acordo com a ANP. Na média nacional, os preços subiram 5pc.
A mudança na competitividade entre os dois combustíveis também é apoiada pela menor disponibilidade de gasolina no mercado à vista do Nordeste.
Importadores mantiveram um ritmo lento de importações de gasolina durante o mês de maio, devido a arbitragem fechada para importação e incertezas quanto à demanda doméstica do combustível.
O custo de reposição para gasolina A importada entregue em Suape e mais um porto do Nordeste chegou a R$3.354/m³, em 29 de maio, de acordo com o indicador Argus em base dap Brasil. O valor supera em aproximadamente 36pc o preço do produto comercializado pela Petrobras em Ipojuca (PE).
Etanol ganha fôlego
A alta nos preços de gasolina veio acompanhada da queda nos preços de etanol desde abril, com o início das operações da primeira planta de etanol de milho da Bahia e o começo da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
A usina de etanol de milho Inpasa em Luís Eduardo Magalhães (BA) teve autorização da ANP para começar a operar em 27 de março. É a sexta planta de etanol da Bahia e a primeira com produção a partir de milho. A inauguração ampliou a capacidade de produção do estado em 48pc para o hidratado e 100pc para o anidro, segundo dados da ANP.
Além disso, a safra no Centro-Sul, iniciada em 1º de abril, deflagrou uma queda expressiva nos preços do etanol produzidos na região. O movimento contagiou os preços do Nordeste, uma vez que muitas distribuidoras originam produto do Centro-Sul durante a entressafra nordestina.
Os fatores se traduziram em maiores volumes de etanol transacionado na Bahia.
O volume reportado à Argus no indicador de etanol hidratado colocado em São Francisco do Conde (BA) nas oito semanas completas desde a primeira semana cheia de abril somou 26.250m³, praticamente o dobro dos 15.497m³ negociados entre 7 de abril-30 de maio de 2025.
O reajuste de preços da Acelen na semana passada pode aumentar a paridade na Bahia, mas ainda mantém o etanol hidratado mais competitivo, segundo participantes de mercado.
Um aumento do ICMS sobre etanol hidratado previsto para junho também adicionou cautela aos participantes das regiões, mas a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia confirmou à Argus que a elevação foi adiada para novembro.
Por Maria Lígia Barros e Maria Albuquerque

