A demanda pelo serviço de transporte de grãos no estado de Mato Grosso se manteve alta nesta semana, em meio ao avanço da colheita da segunda safra de milho 2021-22, também chamada de safra de inverno ou safrinha. Com isso, a maioria dos fretes de grãos nos corredores de exportação monitorados pela Argus registrou alta.
Até a semana encerrada no dia 24 de junho, a colheita da safra de inverno do grão no estado atingia 35,7pc de progresso, de acordo com o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Participantes de mercado seguem tendo dificuldade com a oferta de veículos, uma vez que muitos caminhoneiros se deslocam até as fazendas para fazer o transporte do milho aos locais de armazenagem. Isso reduz a oferta de veículos disponíveis para o fluxo de exportação e contribui para fretes mais altos, em uma tentativa de atrair caminhões.
Há também volumes de soja sendo escoados, o que causa competição pelo serviço de transporte, além da disputa com o mercado interno do milho, uma vez que o grão atende a demanda por ração do setor de proteína animal, principalmente granjeiros na região Sul do Brasil e usinas de etanol.
Nos corredores com destino ao terminal ferroviário em Rondonópolis, o frete de grãos na rota Sorriso-Rondonópolis teve ligeira alta de R$1/t, em média, para R$198-210/t, renovando a máxima do levantamento de preços da Argus. O trajeto Primavera do Leste-Rondonópolis avançou R$4/t, em média, para R$83-100/t.
As rotas com destino até o Arco Norte, com trajeto pela BR-163 até o ponto de transbordo para hidrovia em Miritituba, no Pará, também subiram. O trecho Sinop-Miritituba subiu R$3/t, em média, para R$335-341/t. Já o trajeto Sorriso-Miritituba avançou R$8/t, em média, para R$350-356/t, também o maior nível desde setembro de 2019.
Nos corredores de exportação com destino aos portos do Sul e Sudeste, os fretes de grãos também subiram. Na rota Rondonópolis-Paranaguá, o frete subiu R$38/t, em média, para R$390-425/t. No trajeto Primavera do Leste-Santos, o frete teve alta de R$19/t, em média, para R$413-450/t.
Nas próximas semanas, é possível que fretes mantenham a tendência de alta. O preço dos combustíveis continua elevado, junto com a demanda pelo serviço de transporte de grãos. Um elemento que pode segurar um pouco os valores de frete é o início da colheita da segunda safra de milho em outros estados, como Paraná e Mato Grosso do Sul, reduzindo a busca do mercado interno pelo milho com origem em Mato Grosso e diminuindo a competição por caminhões com o transporte para exportação.
| Fretes rodoviários spot para grãos | ||||
| R$/t | $/t | |||
| 30 jun | 23 jun | 30 jun | 23 jun | |
| Sorriso (MT) – Rondonópolis (MT) | 198-210 | 195-210 | 38-40 | 37-40 |
| Sorriso (MT) – Miritituba (PA) | 350-356 | 340-350 | 67-68 | 65-67 |
| Sorriso (MT) – Santos (SP) | 523-565 | 530-580 | 100-108 | 102-111 |
| Rondonopolis (MT) – Paranaguá (PR) | 390-425 | 350-390 | 75-81 | 67-75 |
| Rondonópolis (MT) – Santos (SP) | 402-440 | 385-405 | 77-84 | 74-78 |
| Primavera do Leste (MT) – Rondonopolis (MT) | 83-100 | 85-90 | 16-19 | 16-17 |
| Primavera do Leste (MT) – Santos (SP) | 413-450 | 380-445 | 79-86 | 73-85 |
| Sinop (MT) – Miritituba (PA) | 335-341 | 330-340 | 64-65 | 63-65 |
| Querencia (MT) – Palmeirante (TO) | 360-360 | 300-360 | 69-69 | 58-69 |

