A alta nos preços da gasolina A nas refinarias da Petrobras anunciada recentemente foi insuficiente para estimular a importação do combustível. Apesar do reajuste quinzenal de R$102,6/m³ (ou 5,6pc) em média nacional para R$1.935,4/m³ em 4 de abril, o valor do produto no mercado doméstico segue cerca de $30/m³ abaixo das cotações internacionais, segundo traders entrevistados pela Argus.
A decisão da Petrobras de aumentar os preços está alinhada com o comportamento do mercado internacional nas últimas semanas, mas ficou aquém do esperado. A gasolina convencional 97 ex-RVO fob Golfo Americano atingiu 201,4¢/USG em 8 de abril, alta de 12pc desde o reajuste anterior ocorrido em 15 de março, quando a estatal subiu o valor do combustível para R$1.832,6/m³ em média nacional . A alta da gasolina no mercado internacional foi estimulada pelo aumento global do preços do petróleo, problemas logísticos na região do golfo causados por enchentes no Rio Mississipi e manutenção em três refinarias da região.
A consequente valorização da nafta (principal componente usado para formular gasolina) e da gasolina acabada no Golfo Americano fez com que a Europa se tornasse uma fornecedora mais competitiva do combustível, passando a atender uma demanda crescente da Costa Atlântica dos Estados Unidos e África Ocidental. A maior procura elevou o valor da gasolina Eurobob oxy fob no Noroeste da Europa para seu maior nível desde outubro em 191¢/USG em 8 de abril .
No Brasil, o diferencial entre o preço médio da gasolina vendida nas refinarias e o valor médio da gasolina A importada base dap Brasil subiu de 3¢/USG para 14¢/USG entre 3-4 de abril . Na semana encerrada em 5 de abril, o valor médio para cargas completas de gasolina A importada base dap Brasil ficou em 178,5¢/USG, enquanto o preço médio nacional praticado nas refinarias da Petrobras alcançou 189,6/USG. "Ainda está muito ruim", disse um trader baseado no Rio de Janeiro à Argus.
A negociação de algumas cargas de gasolina por um número limitado de participantes não significa que a arbitragem seja favorável, segundo ele. "O fundamento [para importação de derivados] hoje é o seguinte: ou você tem um take or pay muito grande no seu contrato de uso de tancagem nos portos, ou você têm que adquirir produto, mas a Petrobras não está vendendo mais nada acima da cota mensal estabelecida no contrato para garantir o seu abastecimento. Ninguém está maximizando nada, ninguém quer comprar mais do que deve."
"Não vi nenhuma demanda adicional depois deste aumento, não mudou o quadro geral. Parece que a Petrobras está tentando deixar a arbitragem aberta para a gasolina , diferentemente do que estão fazendo para o diesel", ponderou uma representante de uma trading estrangeira.

