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26/10/07
Q&A: Leilões da Acelen miram regionais do NE
Sao Paulo, 7 October (Argus) — A Acelen busca ampliar participação nas vendas de
diesel e gasolina para além da Bahia, avançando sobre mercados tradicionalmente
abastecidos por importações. A iniciativa ocorre em um momento de maior
preocupação com o abastecimento nacional de combustíveis derivados de petróleo,
diante das tensões geopolíticas globais e da dependência brasileira de
importações. Como parte desse movimento, a refinaria deu início, em julho, à
comercialização de combustíveis por meios de leilões, com foco em atender
distribuidoras regionais do Nordeste. No primeiro certame foram ofertados
30.000m³ de diesel, dos quais 29.000m³ foram arrematados. Em setembro, a empresa
realizou novos leilões de 30.000m³ de gasolina e 20.000m³ de diesel. Em
entrevista à Argus, o diretor comercial da Acelen, Josué Mateus Bohn, detalha a
estratégia por trás dos leilões, os planos de expansão da empresa para outras
regiões do país e perspectivas para o mercado brasileiro de combustíveis. A
seguir, os principais trechos da entrevista: O que levou a Acelen a iniciar
leilões de combustíveis? Bohn: O leilão foi uma ideia que tivemos no fim do ano
passado, como uma estratégia de comercialização para o mercado interno.
Começamos a operar em julho, quando fizemos o primeiro leilão de diesel . Na
sequência, fizemos mais dois, um de gasolina e um de diesel . A proposta é
ofertar volumes excedentes aos clientes já contratados conosco, principalmente
distribuidoras regionais do Nordeste que não têm muita capacidade de absorver
grandes volumes, como as cargas estruturadas que às vezes comercializamos.
Também é uma maneira do cliente se organizar e avaliar como irá operar esse
produto com 20 a 30 dias de antecedência. Como os combustíveis são precificados
nos leilões? Bohn: Isso depende muito de cada edital, não existe uma metodologia
rígida. Já realizamos um leilão com um diferencial em relação ao preço de lista
da Acelen e já utilizamos os contratos futuros de ULSD ou RBOB como referência.
Nesse caso, usamos a média dos cinco dias de cotação anteriores à atracação do
navio. Essa é uma novidade para o mercado brasileiro. Não é comum os clientes
terem acesso a leilões com preço de referência ao mercado internacional. Para
nós, porém, não faz sentido iniciar um leilão com prêmios. Faz sentido começar o
leilão com algum nível de preço atrativo e deixar o apetite do mercado, caso
exista, premiar o produto. Os leilões devem ser uma estratégia contínua da
empresa? Bohn: Sim, é uma estratégia que deve ficar, mas que será colocada em
operação quando fizer sentido. Os leilões são realizados com volumes excedentes
que segregamos para esse tipo de comercialização e que poderiam ser destinados a
outras modalidades de venda. Isso não significa que faremos outro leilão na
próxima semana. Avaliaremos as condições de mercado antes de ofertar novos
volumes em leilão. Como foi a adesão das distribuidoras aos leilões? Bohn:
Considerando que é uma novidade e que estamos começando esse processo, a
aderência foi de acordo com nossas expectativas. A participação entre grandes
distribuidoras e regionais foi mista, percebemos uma granularidade. O nosso foco
é poder dar acesso de produtos para os clientes regionais do Nordeste. Os
compradores obtêm algum benefício adicional ao arrematar volumes dos leilões?
Bohn: Sim, o comprador aumenta sua média de retirada de produto naquele polo de
suprimento. Por exemplo, se um cliente tinha direito a retirar 5.000 m³/mês de
gasolina em Suape e toma mais 2.000m³ no leilão, sua referência passa s ser de
7.000m³. Esse volume vai compor a média do cliente caso ocorra algum ajuste de
entrega ou restrição de produto. Há previsão para um próximo leilão? Bohn: Não
temos uma data prevista para o próximo leilão. Avaliamos diariamente o momento
do mercado e, então, decidimos. O fato é que já disponibilizamos ao mercado, por
meio dos leilões, volumes de gasolina e diesel para retirada em outubro. Então,
se tiver outro, provavelmente será para entrega em novembro. A Acelen tem
ampliado as vendas de diesel para o Centro-Sul. Qual a estratégia por trás
dessas operações? Bohn: Temos um excedente de diesel para ser entregue no
Brasil, que não precisa ficar contido na Bahia. Além disso, percebemos uma
vontade do mercado de substituir volumes de importação em Paranaguá (PR) ou
Santos (SP) pelo produto da Acelen. Percebemos esse desejo dos nossos clientes
e, inclusive, de novos clientes, com os quais conversamos há muito tempo,
principalmente na região do Paraná. O atual momento foi muito favorável para
voltarmos a fazer esse tipo de operação. O Brasil precisa de diesel e nós
produzimos diesel. Não faz sentido deixamos de ampliar nossa capacidade de
produção. Tudo aquilo que for possível fazer para substituir importação no
mercado brasileiro, faremos. Aquilo que fazemos com segurança para São Luís,
vamos fazer para o Paraná. Como a Acelen avalia o abastecimento de diesel do
Brasil, diante das tensões geopolíticas e de uma possível restrição às
exportações dos EUA? Bohn: O mercado está mais apertado do que em outros meses,
mas o Brasil está atendido em diesel neste momento. E para frente, há tempo
suficiente para que todo o setor possa melhorar os lineups para manter a
estrutura de suprimento do Brasil. Se houver alguma restrição dos EUA, o
importador precisaria buscar produto longe e isso teria um impacto nos preços
para o Brasil. A nossa referência de preço de paridade de importação, nossas
principais importações de diesel acontecem via Golfo Americano. Quando você tira
essa possibilidade, buscar produto mais longe significa encontrar custos
logísticos mais caros e mais restrição de produto. Se ocorresse alguma situação
mais pesada em relação ao suprimento, talvez teríamos que partir para avaliações
técnicas em termos de qualidade de produto para aumentar o volume de destilados
médios no país, avaliando a flexibilidade em relação a grades de S10, S500,
diesel marítimo. Por Maria Albuquerque e Lucas Lignon Envie comentários e
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