A produção de cana-de-açúcar na safra 2021-22 registrou queda de 10pc devido às condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras do país, segundo dados compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A moagem acumulada desde o início da safra, de 1º de abril de 2021 até 1º de abril de 2022, totalizou apenas 585,17 milhões de t, ante 654,52 milhões de t na temporada anterior.
Para a Conab, a redução se deve às condições climáticas adversas registradas ao longo do ano passado – da estiagem durante o ciclo produtivo das lavouras às baixas temperaturas registradas em junho e julho de 2021 – que impactaram nas produtividades de importantes regiões produtoras.
Além do clima, a Conab verificou uma redução de 3,5pc na área destinada para produção de cana, passando de 8,6 milhões de hectares para 8,3 milhões de ha. A queda ocorre mesmo com um cenário positivo para o setor sucroenergético, com preços atrativos para o açúcar e etanol. Para a agência, a concorrência por área entre a cana-de-açúcar e outros plantios está se acentuando no Brasil.
"A soma da rentabilidade da soja e do milho na mesma área é praticamente imbatível", diz o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen. Isso explica a dificuldade para expandir e mesmo manter a área de cana. "Um fator a ser considerado, ainda na decisão, é o risco associado à produtividade, neste ponto a cana ainda leva vantagem."
O Centro-Sul registrou a maior queda no processamento da matéria-prima, totalizando 530,26 milhões de t, queda de 10pc em comparação com a safra anterior. Apesar da redução, se mantém como a principal região produtora do país.
Enquanto as usinas do Centro-Sul viram sua produtividade diminuir em resposta à seca e geadas, as condições climáticas foram mais favoráveis para os estados produtores do Norte e Nordeste. A Conab aponta para um aumento de 5,7pc no processamento de matéria-prima durante a temporada, totalizando 54,91 milhões de t de cana moída.
Produção de etanol
Houve maior destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol nesta safra, puxado, principalmente, pelo etanol anidro, segundo a Conab. O aditivo foi o único produto a partir da cana-de-açúcar com maior produção na safra 2021-22.
Com exceção de alguns estados do Nordeste, a maioria das unidades de federação registrou aumento na fabricação de anidro, com destaque para Minas Gerais, Goiás, Pernambuco e Paraíba. A produção de etanol anidro teve aumento de 13,8pc, alcançando 10,6 milhões de m³. O total produzido do hidratado, por sua vez, ficou em 16,18 milhões de m³, diminuição de 20pc.
Segundo a Conab, a produção de etanol a partir do milho ajudou a compensar parte do declínio do etanol à base de cana-de-açúcar. A produção total de etanol à base de milho cresceu 14pc, totalizando 3,47 milhões de m³. No caso do anidro, o aumento foi de 4,2pc, com 972.545m³ produzidos. Para o hidratado, a produção está em 2,5 milhões de m³, sinalizando incremento de 19pc em comparação a 2020-21.
A Conab também registrou menos importações do biocombustível, que caíram 34pc, para 380.400m³, limitadas pelo fim das cotas de importação do etanol proveniente dos Estados Unidos, uma decisão revertida no mês passado.

