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Maior competitividade aumenta pedidos à Acelen

  • Market: Biofuels, Oil products
  • 14/09/22

A competitividade mais acirrada entre participantes do Nordeste aumentou a busca por combustível nas refinarias da região, levando a Acelen a atingir a capacidade máxima de suprimento em meio ao crescimento dos pedidos de distribuidores, que em agosto chegou ao triplo de volumes requisitados previamente. O diretor comercial da empresa, Josué Mateus Bohn, conversou com a Argus sobre a dinâmica de consumo na região, a maior demanda por gasolina e comentou a respeito do processo de dessulfurização do diesel no Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Quais motivos geraram as lacunas no suprimento de combustíveis que a região Nordeste enfrentou no último mês?

Temos uma política de preços instituída com nossos clientes e distribuidores que é vinculada ao mercado internacional, com regra específica e formulada. No fim de julho, sobretudo em agosto, começamos a ter uma composição no nosso modelo de precificação mais competitiva e houve uma escalada nas retiradas de produto da Acelen. Vimos moléculas nossas entrando em Mato Grosso, Goiás e no sul do Ceará. A presença foi bem maior do que estávamos acostumados a ver, tanto para o diesel quanto para a gasolina.

Nós não temos a proposta de limitar oferta de produto e tivemos clientes pedindo até três vezes mais do que vinham solicitando. O fato de estarmos mais competitivos aumentou o interesse de distribuidores. Quando já não tinha mais produto para entregar, comecei a limitar a oferta.

No mercado da Bahia entregamos 15pc a mais do que estava definido de volume para gasolina, mesmo com as dificuldades. No caso do diesel, 7pc a mais. Estamos batendo sucessivos recordes de produção no S10, com produção de quase 255.000m³ de S10 nos últimos dois meses. Mesmo com mais oferta, importamos e injetamos no sistema. Houve um momento muito significativo de competitividade no mercado.

Que tipo de dificuldade ocorreu para entregar produto? Os investimentos anunciados recentemente devem ser suficientes para atender à demanda?

Tivemos dificuldades de atender toda a demanda solicitada e não os pedidos contratuais. Quando falo dificuldade é que não consegui atender às demandas adicionais. Tenho um compromisso contratual a ser cumprido. Se eu começasse a entregar além do meu portfólio e da estrutura logística no fim de agosto, comprometeria a performance contratual de setembro.

Dentro da unidade, vamos passar por períodos de grandes paradas para manutenção ao longo do tempo, mais do ponto de vista de confiabilidade do hardware, adaptação às normas reguladoras e ambientais que precisam ser cumpridas. Não teremos processos de revamp (ampliação e modernização) dentro dessas unidades. Estamos com parada prevista para breve, cumprindo os volumes contratuais no estado da Bahia e com sobra para colocar no Nordeste. Há complemento com importações e já fizemos isso para os meses de parada.

Para o S10 especificamente, o aumento da demanda foi mais expressivo para distribuidoras de pequeno, médio ou grande porte?

As grandes distribuidoras são mais capacitadas do ponto de vista analítico. Conseguem ter uma ideia melhor do que vai acontecer e se preparam. Como os pequenos, normalmente, são bandeira branca e utilizam rapidamente o volume, podem ter ficado sem produto. As grandes entraram forte [no suprimento a distribuidoras menores], mas acabou a cota deles também. Acho que foi isso que aconteceu.

No caso da gasolina, além da paridade desfavorável para o etanol, o que tem estimulado o consumo?

O principal fator foi a acomodação da carga tributária da gasolina. Entendo que isso foi um benefício muito bom para esse mercado e permitiu que o etanol ficasse mais próximo da realidade de preços da gasolina. O outro fator é que vemos um mercado de Ciclo Otto reagindo. Se olharmos os históricos, período pré-eleitoral costuma consumir mais Ciclo Otto também.

Como avaliam o processo de dessulfurização e o fim do S500?

Não vejo S500 perdurando por muito mais tempo no Brasil, acho que perto de 2025 teremos o combustível limitado para alguns segmentos. Mas há muitas preocupações sobre o assunto. Precisamos ter uma capacidade de internalização de S10 para cumprir com essa substituição. O parque de refino brasileiro não terá S10 suficiente para cumprir com a diferença de S500. E é preciso ter capacidade de infraestrutura para poder entrar com produto [S10 via importação] no Brasil.

E o Brasil já está se preparando para essa mudança?

Não. E tem outra coisa: continuará tendo S500. Algumas refinarias, inclusive a Acelen, continuarão com produção S500. Pode aumentar a capacidade de S10, mas continuará existindo S500. Não consegue transformar tudo em S10. Existem duas alternativas: construir uma outra unidade de hidrotratamento de diesel (HDT) para transformar todo S500 em S10 - e isso não é feito até 2025, pelo menos não em boa parte do parque de refino – ou exportar S500. Terá de haver infraestrutura suficiente para sair com S500 e entrar com S10 além da necessidade atual. E não vejo aumento de infraestrutura e capacidade na costa brasileira para isso.

Por Gabrielle Moreira


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