Market Talks: The impacts of Covid-19 on Brazil’s agriculture market

Author Argus

The soybean bumper crop and highly depreciated Brazilian Real have been helping Brazilian farmers to mitigate the impacts of measures taken to prevent Covid-19 spread in the country. How does this balance reflect in grain production and fertilizer consumption?

In the fourth episode of the Market Talks series, Clayton Melo, Brazil Country Manager, and Flavia Bohone, Agriculture and Fertilizer Editor, discuss the effects of the pandemia on Brazil’s agriculture market.

(Podcast is in Portuguese)

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Argus Brasil Grãos e Fertilizantes

Transcript

Clayton: Olá e bem-vindos ao ‘Falando de Mercado’ – uma série de podcasts trazidos semanalmente pela Argus sobre os principais acontecimentos com impacto para os setores de commodities e energia no Brasil e no mundo. Meu nome é Clayton Melo, diretor da Argus no Brasil. No episódio de hoje eu converso com Flavia Bohone, editora da publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes, sobre os impactos do coronavírus no mercado agrícola no Brasil. Bem-vinda, Flavia.

Flavia: Obrigada, Clayton. É um prazer estar aqui.

Clayton: Flavia, muito se fala sobre impactos negativos que as medidas de combate ao contágio pelo coronavírus têm provocado em diversos setores. O setor agrícola também não deve passar ileso, mas, por outro lado, a recente alta do dólar tem efeitos favoráveis para os produtores. Como está essa relação?

Flavia: Clayton, sim, o dólar mais valorizado em relação ao real vem elevando os preços internos da soja, o que acaba mitigando os efeitos da crise global causados pela pandemia. O efeito positivo para os produtores brasileiros acontece principalmente se considerarmos que eles estão negociando a colheita com um dólar mais alto do que a cotação no momento em que eles compraram os insumos para esta temporada.

Com isso, a estimativa é que os produtores de soja obtenham margens mais altas na temporada 2019-2020. Para efeio de comparação, um levantamento inidica que na região sudeste de Mato Grosso, os sojicultores podem registrar margem líquida de até R$1.800/ha nesta tempoara, uma alta de mais de 20% em relação à safra passada.

Clayton: E com o dólar mais alto, as vendas antecipadas para a safra 2020-21 também avançaram?

Flavia: Sem dúvida. Inclusive, a expectativa é que os produtores também consigam manter margens elevadas para o próximo ciclo, já que o ritmo de vendas antecipadas está muito acima da média. Até o fim de março, a comercialização de soja da próxima safra em Mato Grosso já estava em 30%. Para termos uma ideia do que isso significa, um ano antes, as vendas da safra 2019-20 estavam em pouco mais de 8% e a média de cinco anos para o período é de 3,5%.

A safra 2019-20, que é recorde, também está com as vendas acima da média. Até o fim de março, quase 82% já havia sido comercializado, enquanto a média de cinco anos é de 68%.

Clayton: Você lembrou que a safra deste ano é recorde e mencionou as vendas acima da média. Como está o escoamento?

Flavia: Nesse ponto os efeitos do coronavirus causam alguma preocupação. A safra recorde de soja, prevista em mais de 120 milhões de toneladas, coincide com menos oferta de caminhões para transportar a commodity. Essa oferta menor acontece porque muitos motoristas estão evitando trajetos mais longos por causa da ausência de bases de apoio, como postos de combusível, oficinas e restaurantes no trajeto. Com essa oferta menor de caminhões, alguns agricultores estão vendo os silos ficarem lotados. Mas vale lembrar que vimos alguns relatos pontuais, não significa que o fluxo não esteja acontecendo, apenas que os produtores estão encontrando alguns obstáculos para o escoamento dessa safra recorde.

Clayton: Falamos bastante da soja, mas como está a situação para o milho?

Flavia: Clayton, o milho tem um cenário diferente, com mais riscos de impactos negativos. Temos no radar mais pressão nos preços internos para os próximos meses. Primeiro, podemos ver uma redução nas exportações, com a redução na demanda por combustíveis no mundo por causa das medidas de isolamentos para conter o contágio do coronavírus.

Com uma potencial redução nas exportações, pode sobrar mais produto no mercado interno. Mas vale lembrar que aqui também podemos ver queda na demanda. Embora a maior parte do etanol no Brasil seja de cana-de-açúcar, temos uma indústria crescente de etanol à base de milho.

Já estamos vendo essas usinas de etanol de milho vendendo seus estoques do grão para outros mercados. Na primeira quinzena de abril, nossa equipe editorial apurou que cerca de 30 mil toneladas de milho que seria usado para a produção de etanol em Mato Grosso foi liberado para outros compradores, como grandes frigoríficos, por exemplo. E já há quem calcule que esse número pode subir para 500 mil toneladas em pouco tempo.

Além do combustível, é importante destacar que uma parte expressiva da produção de milho destinada ao consumo interno vai para os frigoríficos. Embora eles tenham comprado um montante liberado pelas usinas de etanol, a demanda desse setor também pode diminuir, refeletindo as medidas de restrição em vigor. Com isso, os preços no mercado interno podem sofrer mais pressão.

Clayton: Um ponto importante para a produção agrícola é a aquisição de insumos. Neste caso, como estão os impactos para o mercado de fertilizantes no Brasil?

Flavia: O mercado de fertilizantes tem alguns pontos que merecem destaque. Primeiro, por questões sazonais, estamos em um período de baixa demanda no Brasil. Além disso, as compras para a próxima safra form amplamente antecipadas. Ou seja, o produtor tem uma janela para adquirir a quantidade de fertilizantes necessária para completar o que falta.

Mas estamos vendo participantes do mercado mostrando alguma preocupação. A pandemia não alterou ainda as previsões de safra, mas trouxe incertezas. Antes da crise, analistas estimavam que a demanda por fertilizantes atingisse 37 milhões de toneladas este ano, sendo que este número ainda tinha um viés de alta. Agora, alguns analistas já dizem que essa estimativa tem um viés de baixa, caso a situação se agrave e amplie os impactos das medidas de restrição.

Além disso, algumas importantes produtoras mundiais de fertilizantes já anunciaram medidas para conter a disseminação do vírus que afetam suas produções. Como os estoques estão elevados, essas medidas não são vistas com o potencial de levar a falta de produto, mas é mais um fator de cautela.

Clayton: Muito obrigado, Flavia.

Se você quiser saber mais sobre os impactos da pandemia no mercado global de commodities, acesse nosso microsite dedicado ao assunto em www.argusmedia.com/coronavirus.

Voltaremos em breve com mais uma edição do “Falando de Mercado”. Até logo!

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