A elevação do mandato da mescla de biodiesel atrasará até, pelo menos, março de 2027, após o Ministério de Minas e Energia (MME) prorrogar o cronograma dos testes de viabilidade, de acordo com o novo plano apresentado a participantes do mercado.
A Lei do Combustível do Futuro previa aumentar a mescla de 15pc (B15) para 16pc (B16) em março de 2026, desde que houvesse comprovação de que os novos níveis são tecnicamente viáveis.
O MME espera que o relatório final quanto à utilização de misturas de B16-20 seja aprovado até o fim de março de 2027, caso os testes confirmem, sem ressalvas, que os níveis são viáveis, de acordo com o plano ao qual a Argus obteve acesso.
O novo cronograma prevê o início dos primeiros testes experimentais em junho, adiamento de três meses em relação ao plano anterior, publicado em 19 de novembro de 2025. A necessidade de mais tempo para as fases de consolidação metodológica e negociações com laboratórios atrasou parcialmente o cronograma, de acordo com o plano.
A falta de infraestrutura para a realização de testes mecânicos contribuiu para postergar o prazo inicial, segundo informações apresentadas pelo MME em março.
Em um cenário no qual a aprovação dependa de ajustes técnicos dos testes, o prazo para a validação do relatório final pode se estender até julho de 2027. Ainda não há datas para testes das misturas entre B20-25.
O atraso na elevação de mescla coincide com a alta dos preços do diesel S10 nacionalizado no mercado à vista acima dos preços do biodiesel negociado por contrato, desde 5 de março, e com o consequente aumento da pressão pelo avanço do mandato de mescla do biodiesel. O movimento ocorre após a elevação dos preços globais de derivados de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) pressionaram neste mês a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para permitir misturas de biodiesel acima do mandato sem autorização prévia. As entidades argumentaram que o Brasil tem capacidade para fornecer uma mistura de biodiesel de até 21,6pc no diesel.
O MME não respondeu ao pedido da Argus por comentários referentes ao novo cronograma.

